Raio-X nas camisetas
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quinta-feira, 11 de março de 2010
Felipe Branco Cruz<br> Agência Estado 
Bem que Isabella Fiorentino tentou ser imparcial, mas a paixão pelo Palmeiras a impediu. Em sua opinião, a camisa mais bonita dos times paulistas é mesmo a do Verdão. ''Tenho até carteirinha da Mancha Verde'', disse a consultora de imagem e apresentadora do ''Esquadrão da Moda'', exibido às terças-feiras pelo SBT.
Com suas críticas ácidas e específicas, Isabella se juntou ao também consultor de moda e stylist, Arlindo Grund, parceiro de ''Esquadrão'', para analisar, ''estritamente'' do ponto de vista da moda, os uniformes mais recentes dos times paulistas São Paulo, Santos, Palmeiras e Corinthians.
Arlindo, que é pernambucano, não torce para nenhum dos times em questão, mas revelou ter simpatia pelo São Paulo. Mas nem tanto assim pelos efeitos causados pelo uniforme do clube. ''As listras tricolores horizontais dão a sensação visual de aumento da massa corporal, ou seja, 'engordam'. Por outro lado, as listras verticais do uniforme 2, dão sensação contrária.''
Os uniformes, que mudam todo ano, não escaparam do olhar clínico da dupla. Acostumados a adequar ocasião e roupa de suas ''vítimas'', Isabella e Arlindo indicam a única situação em que as camisetas de futebol estão liberadas: atividades de lazer. ''Camiseta de futebol não combina, em hipótese alguma, com trabalho, restaurante ou ambientes mais sofisticados'', aponta Isabella. Arlindo brinca: ''Nem deve ser usada na arquibancada da torcida adversária''. Para os consultores, os modelitos só são ''aceitáveis'' fora do estádio se usados no dia seguinte a uma vitória do clube em questão.
O recado não vai para o Ronaldo Fenômeno e, provavelmente, o desenho da camisa não foi criado para isso. Mas o fato é que as listras pretas em contraste com o roxo, do uniforme 3 do Corinthians, dão a sensação de que a pessoa é mais magra, segundo os stylists. ''Para quem está acima do peso, as listras verticais combinando com cores de pouco contraste ajudam a disfarçar'', explica Arlindo, fã da combinação de roxo e preto do modelo.
O mesmo efeito ''emagrecedor'' ocorre com o uniforme 2 do Santos, com suas listras pretas verticais. ''Não estamos falando de nenhum jogador e sim do torcedor'', alerta Isabella. Para os torcedores palmeirenses mais gordinhos, ela indica apenas o uniforme verde. ''A listra branca no uniforme azul engorda muito.''
Quando o assunto é o corte e o desenho das camisas, os apresentadores destacam os tecidos utilizados, altamente tecnológicos, que dão conforto e mobilidade aos jogadores. Cada clube escolhe suas golas. Em ''V'', não sufoca o atleta e a polo dá sensação de melhor acabamento e sofisticação.
A quantidade de anúncios que atualmente os clubes ostentam em seus uniformes não incomodou os apresentadores. ''A estética esportiva é diferente do mundo da moda. Anúncio significa prestígio. As empresas querem associar sua marca a clubes vitoriosos'', fala o stylist.
Sobre as inovações de cores, como fizeram Corinthians e Palmeiras, ambos dizem que os clubes de futebol devem pensar bem antes de mudar. ''A cor é o elo de identificação do time'', lembra Isabella.
Por dentro da criação
Se a estética esportiva é diferente do mundo da moda, como afirma o stylist Arlindo Grund, quem desenha esses uniformes? Caio Campos, gerente de marketing do Corinthians, explica que o responsável pela criação das roupas do clube é a Nike, mas que depois de pronto, ele tem de aprovar. No caso do uniforme roxo, a ideia partiu do clube, para homenagear os torcedores. ''A primeira versão da camisa era de um roxo muito claro, que na TV parecia azul. Mudamos para um roxo mais escuro com linhas pretas'', diz Caio. Em 2008, o Corinthians, negociou com o patrocinador Medial para mudar a cor da logomarca para preto, porque a marca era verde, cor do rival.
No Palmeiras, a escolha da cor azul teve motivos históricos, segundo Rogério Dezembro, diretor de marketing do clube. ''Pedimos que a Adidas fizesse uma releitura da primeira camisa do Palmeiras, que era azul, com a Cruz de Savoia.'' Ele diz ainda que o clube sugere mudanças só quando costuras ou cortes possam prejudicar o desempenho do jogador. Depois, basta o patrocinador aprovar.


