Questão de pele
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 26 de novembro de 2004
Herika Fondazzi<br>Reportagem Local 
Beleza e juventude nunca estiveram tão valorizadas como nos dias de hoje. A cada ano, principalmente com a chegada do verão, novas técnicas e produtos surgem para resolver os mais variados problemas, de acne à estria, passando por gordura localizada e flacidez. Mas é preciso tomar cuidado antes de se decidir pelo melhor tratamento no meio de tantas opções. Além do risco de gastar muito dinheiro para pouco resultado, algumas substâncias podem até pôr em perigo a vida dos pacientes.
O caso mais recente divulgado na mídia trata de um antiandrogênio (bloqueador do hormônio masculino) chamado flutamida. Usada inicialmente para o tratamento de câncer de próstata em estágio avançado, a flutamida também era receitada por dermatologistas para controlar a acne e a queda de cabelo. O problema é que a substância causa um efeito devastador no fígado, podendo levar a pessoa a uma hepatite fulminante, onde a única chance de sobrevivência é o transplante em até 72 horas. Nos últimos dois anos, quatro mulheres morreram supostamente em decorrência do uso da flutamida.
Mas casos onde os tratamentos de estética levam a consequências tão sérias são raridade, mesmo quando se trata da flutamida. Segundo a dermatologista Rosa Calland, alguns cuidados básicos podem prevenir os riscos. ''No caso da flutamida, era necessário realizar exames de controle hepático e alertar para os riscos durante a gravidez. Usei a substância por muito tempo, tanto na forma oral como tópica, e nunca tive problemas'', garante. Mesmo assim, a especialista optou, por recomendação da Sociedade Brasileira de Dermatologia, suspender o uso até que mais exames sejam feitos. ''Suspeita-se que nem os exames podem descartar totalmente o risco de uma complicação hepática aguda. Sendo assim, é melhor esperar e não correr o risco'', diz.
A medicina estética já cometeu alguns enganos no passado. Quem não se lembra dos problemas com o silicone e a recente proibição do Lipostabil, que chegou ao mercado como a melhor alternativa para gorduras localizadas e acabou proibido pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Sem milagres No entanto, na maioria das vezes, o que acontece de errado nos tratamentos de beleza é a não realização dos milagres prometidos. A dermatologista Rosa Calland diz que é fundamental procurar um profissional que saiba indicar o método mais eficiente para cada pessoa. ''Certos tratamentos funcionam melhor para uns do que para outras, sem um motivo aparente. Mas com um bom diagnóstico e acompanhamento constante dá para saber o que pode dar resultados melhores e qual a técnica para cada situação'', garante.
Um exemplo é o Thermacool, aparelho que usa a radiofrequência para suavizar a flacidez da pele. De acordo com a dermatologista, em casos onde o problema é mais acentuado, os resultados não são muito bons. ''Como o processo funciona esfriando e queimando a pele, alguma melhora sempre vai ter. Mas o Thermacool é caro demais para ser usado em certas regiões do corpo. O ideal é aplicar no pescoço e na face, quando a flacidez está em estágio inicial'', explica. (Veja outros exemplos no box)
Cautela Casos clássicos como o Lipostabil, que foi proibido para comercialização e aplicação na área estética, são um problema de uso incorreto, segundo Rosa. ''O silicone também foi proibido alguns anos atrás porque estava sendo vendido e comprado de forma indiscriminada. Ele é muito bom para preenchimento, mas começou a ser usado por todo mundo. Pessoas compravam o produto e se aplicavam em casa e foi aquele horror. Por isso, a Anvisa proibiu o uso. Com o Lipostabil foi a mesma coisa. A venda não era autorizada no Brasil e as pessoas estavam importanto o produto mesmo assim'', conta.
Antes de se decidir por um tratamento estético, seja para corpo ou para rosto, a recomendação da dermatologista é ter cautela e procurar um bom profissional. ''Para cada produto bom que chega no mercado, aparece um monte de porcaria junto. Procurar uma pessoa que tenha boas indicações e seja especializada no seu trabalho é sempre mais seguro'', afirma.


