O verão ainda não começou oficialmente, mas as altas temperaturas e os dias ensolarados são um apelo irresistível à piscina ou a um final de semana na praia. A ordem implícita no ar é conseguir aquele bronzeado que, por aqui, virou sinônimo de beleza e sensualidade. É justamente este momento, quando os biquínis começam a sair do armário e as visitas ao espelho se tornam mais frequentes, que os especialistas querem aproveitar para colocar em pauta um assunto bem pertinente a países de clima tropical como o Brasil: câncer de pele, já que o sol é responsável por até 90% dos casos da doença.
No último sábado, a Sociedade Brasileira de Dermatologia realizou Campanha Nacional de Prevenção e Detecção deste tipo de câncer, com orientação gratuita à população sobre causas e sintomas, verificando sinais na pele que podem indicar a existência de problemas e encaminhando para tratamento. As principais neoplasias decorrentes do efeito cumulativo da radiação ultravioleta são o carcinoma basocelular, o carcinoma espinocelular e o melanoma. Se diagnosticado precocemente, o câncer de pele têm até 100% de cura.
Na internet Quem não participou da campanha e gostaria de orientações sobre o assunto, agora pode obter ajuda pelo computador. No início deste mês foi lançada a ''Ação Nacional e Permanente de Combate ao Câncer de Pele'' (ANAPEC). O objetivo é desenvolver, na internet, ações de apoio a campanhas de saúde no País, disponibilizando à população recursos de tele-educação e atendimento a distância. No site www.saudetotal.com/prevencao, o usuário faz um cadastro e tem acesso a informações sobre a pele e seu funcionamento, cuidados com o fotoenvelhecimento e formas corretas de usar os protetores solares. Há orientações detalhadas para reconhecimento de lesões malignas e o passo a passo do auto-exame, que deve ser feito a cada três meses (leia texto nesta página). Também está disponível, no site, um chat para discussão e esclarecimento de dúvidas, com a participação de dermatologistas, e um sistema de avaliação dermatológica à distância.
Desenvolvido pelos médicos Gyrgy Miklós Bhm, professor do departamento de patologia da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), e Chao Lung Wen, coordenador geral da disciplina de telemedicina da FMUSP, o site visa também treinar profissionais não médicos que trabalham em salões de beleza, clínicas de bronzeamento artificial e academias de ginástica. O objetivo é alcançar 10 milhões de pessoas e formar uma comunidade de 80 mil usuários no combate e prevenção do câncer de pele, o mais comum entre todos os cânceres que atingem homem.
Mais grave e potencialmente fatal, o melanoma se espalha rapidamente, com altos índices de metástase. O diagnóstico precoce, portanto, pode salvar vidas. Em seus estágios iniciais, o tumor se assemelha a uma pinta ou mancha de nascença. Por isso, é preciso estar atento a mudanças na forma, no tamanho e na cor de sinais já existentes e também ao aparecimento de novos sinais. Para ajudar a identificar uma pinta suspeita, os especialistas se valem da regra do ABCD (assimetria, borda, cor e diâmetro). Se ela for assimétrica, tiver bordas irregulares, diferentes tons de marrom, castanho ou vermelho) e diâmetro maior que 6 milímetros, as chances de que seja um melanoma são grandes. O melhor é procurar um dermatologista regularmente para fazer a prevenção.
Pintas Os fatores de risco para o aparecimento da doença são história familiar, pele, cabelos e olhos claros, grande quantidade de pintas pelo corpo e ocorrência de repetidas e intensas queimaduras solares, principalmente durante a infância. De acordo com informações divulgadas no site, aos 18 anos de idade, a maioria das pessoas já recebeu de 50% a 80% da radiação solar de toda a vida. Mesmo que se tenha o máximo cuidado com a proteção solar na fase adulta, o dano causado pela radiação solar recebida na infância não pode ser desfeito.
A orientação é de que, nos primeiros seis meses de vida, os bebês não devem ser expostos diretamente ao sol. Para crianças de até um ano, as exposições solares devem ser curtas, antes das 10 horas e após às 16 horas, períodos adequados para fugir dos prejuízos e aproveitar apenas as benesses dos raios ultravioleta, importantes na síntese de vitamina D.
Importante frisar que permanecer na sombra ou sob o guarda-sol não garante proteção total. Muitas superfícies, como areia, cimento e neve são refletoras das radiações solares. Por isso, o uso regular de filtro solar, com fator de proteção solar mínima de 15, é fundamental. Ao contrário do que se imagina, essa proteção é necessária até mesmo nos dias nublados, pois apesar de o sol estar coberto, 80% das radiações atingem a superfície da Terra.
O fotoprotetor deve ser aplicado, de forma homogênea, de 20 a 30 minutos antes da exposição solar, reaplicado a cada 2 horas e logo após a imersão em água, sempre com a pele bem enxuta. n

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