Questão de gênero
Agência Estado
Com tantos avanços das mulheres neste século, o campo para reivindicações feministas parece ter encolhido tanto quanto as dimensões dos biquínis, se comparado à época em que Betty Friedan conclamava as norte-americanas a fazer greve de sexo para lutar contra a exploração masculina. Uma pesquisa realizada nos Estados Unidos pela rede de tevê CBS mostrou que 60% das mulheres do país não se consideram feministas.
Algumas chegam até a considerar que hoje o feminismo mais atrapalha do que ajuda. O movimento já ganhou até outro nome, numa tentativa de se livrar da temível fama de radical, e agora também atende pela politicamente correta definição de questão de gênero.
Distorção Se você fala em feminismo, as pessoas se arrepiam, diz a deputada federal e pré-candidata do governo estadual, Marta Suplicy (PT-SP), de 52 anos. Na Câmara, a parlamentar aprendeu que uma proposta tem aceitação muito melhor se for apresentada como uma questão de gênero, em vez de uma causa feminista. A presidente da Associação das Mulheres de Negócios e Profissionais de São Paulo (Amnp), Elisa Guerra Malta Campos, de 50 anos, declara-se feminina, mas não feminista. E explica: A idéia que foi passada pelo feminismo distorce a natureza da mulher.
Dona de uma editora e mãe de quatro filhos, a presidente da Amnp diz que as mulheres não têm de assumir um papel igual ao do homem. Isso não quer dizer, no entanto, que o macho deva ser visto como amo e senhor. A mulher tem a seu favor o sexto sentido, afirma. Já o homem é mais objetivo.
Pesquisa Um levantamento realizado pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), de São Paulo, em conjunto com o Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Sócio-Econômicos (Dieese), mostra que o rendimento médio das mulheres é de R$ 631,00, contra os R$ 1.062,00 recebidos em média pelos homens. As mulheres ganham quase a metade do que recebem os homens exercendo funções iguais, diz a secretária nacional da Mulher, Criança e Adolescente da Força Sindical, Nair Goulart, de 46 anos.
Além disso, diz, o estado civil é outro fator de discriminação na hora de arrumar um emprego. As empresas dão preferência às mulheres muito jovens e solteiras ou àquelas com mais de 40 anos, que têm menos probabilidade de engravidar. Nair também reclama do machismo dentro do sindicalismo. Nesse meio desde 1977, ela lembra de quando tentou apresentar a proposta de criação de um departamento voltado para mulheres na 1ª Conferência Nacional das Classes Trabalhadoras, em 81. Tomou uma vaia e chorou.
Lágrimas Agora, as sindicalistas já acusam vitórias, como o compromisso de que, até o ano 2001, 30% da diretoria da Força Sindical será ocupada por mulheres. Ainda assim, Nair não abre mão de cair no berreiro quando tem motivo. Chorar é uma característica importante das mulheres. Alivia, faz repensar. Com ou sem lágrimas, a avaliação das feministas é de que o movimento está menos agressivo do que há 30 anos. No início, para se impor, era preciso jogar duro, mas esse momento passou, diz a coordenadora-executiva do Geledés Instituto da Mulher Negra Nilza Iraci, de 48 anos.
A presidente da União de Mulheres, Terezinha de Oliveira, 45 anos, que já invadiu o Congresso Nacional com mais 200 mulheres e foi presa pintando mensagens feministas debaixo do Minhocão, concorda: A gente também já não é tão jovem para sair na rua gritando. E a presidente do Conselho Estadual da Condição Feminina, Maria Aparecida de Laia, 40 anos, conclui: Hoje ninguém mais questiona a presença das mulheres nos diversos setores das sociedade.Feministas do ano 2000 mudam de perfil e movimento ganha outro nome
ReproduçãoAs mulheres ganham quase a metade do que recebem os homens exercendo funções iguaisArquivo FolhaSe você fala em feminismo, as pessoas se arrepiam, diz a deputada federal e pré-candidata do governo de São Paulo, Marta Suplicy





