O desejo de ter um filho é geralmente associado à mulher, mas muitos homens também têm esse anseio e a incapacidade de gerar uma nova vida deixa muitos homens frustrados. Para piorar a situação, a infertilidade ainda é associada com a impotência sexual. Tudo isso traz uma boa dose de angústia para quem está tentando ser pai e não consegue.
A boa notícia é que a pesquisa sobre infertilidade masculina avançou nos últimos cinco anos e já existem tratamentos mais rápidos e baratos que a fertilização artificial (in vitro).
O médico urologista Rodrigo Lessi Pagani, com especialização em andrologia infertilidade masculina, impotência sexual masculina, reposição hormonal e andropausa pelo Baylor College of Medicine, em Houston, no Texas, diz que 40% dos casos de infertilidade são provocados por varicoceles varizes que circundam os testículos.
As varizes causam a malformação dos espermatozóides. A incidência da doença, segundo Rodrigo, é alta: dois em cada 10 homens têm vacicoceles, mas isso não significa que todos sejam inférteis. Ele explica que as veias obstruídas dificultam a saída do sangue dos testículos. O acúmulo de sangue aumenta a temperatura no local prejudicando os espermatozóides.
Cirurgia O tratamento exige uma intervenção cirúrgica, ''de rápida recuperação e com apenas um dia de internação'', tranquiliza Rodrigo. A técnica mais atual é feita com o auxilio de microscópio, que permite identificar melhor as veias, artérias e vasos linfáticos. O corte atinge apenas a pele e o tecido gorduroso da bolsa escrotal. ''70% dos homens melhoram a qualidade espermática, ficando grávidos em até um ano após a cirurgia'', garante.
Entre as causas mais comuns da infertilidade aparecem ainda as doenças sexualmente transmissíveis (DST), disfunções hormonais, obstruções (por infecções ou vasectomia) e fatores genéticos.
Segundo Rodrigo, durante muitos anos o tratamento para a infertilidade do homem foi relegado a segundo plano, com pesquisas e estudos dirigidos mais à mulher. Na década de 90, com a descoberta da injeção intracitoplasmática de espermatozóide (ICSI), a investigação sobre os problemas da fertilidade masculina diminuiu ainda mais. A recomendação da fertilização in vitro de forma desenfreada, de acordo com ele, incomoda a Sociedade de Urologia. ''Não se tenta tratar o homem. Antes eram considerados inférteis os que produziam entre três a cinco milhões de espermatozóides. Agora basta produzir um para ser pai'', observa.
Mais fácil e barato As clínicas de reprodução humana, para ele, deveriam ter um urologista para que a dificuldade de engravidar do casal fosse analisada sob todos os aspectos. Para o médico, ''é mais fácil, mais barato e menos traumático tratar a infertilidade do homem''. Além disso, a investigação no homem pode identificar outros problemas mais sérios, como a fibrose cística, uma doença genética grave, que é fatal.
Para a capacidade de reprodução do homem importa muito mais a qualidade do que a quantidade de espermatozóides. Em condições normais, são considerados férteis os homens que produzem 20 milhões de espermatozóides por mililitro.
O médico informa que há um outro tipo de teste, além do espermograma, que avalia a função do espermatozóide. É o teste de penetração espermática (SPA), que mede a capacidade de penetração no óvulo.
Rodrigo reforça também a eficiência das cirurgias para reversão de vasectomia. A capacidade de reprodução pode ser recuperada em 95% dos casos com uma chance de engravidar de 65%. ''Não há técnica de reprodução assistida que chegue nessa porcentagem'', avalia. n

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