Da Redação e
Cleide Cavalcante
Agência Estado
Especialmente durante o verão, as pessoas costumam abusar e se expor em excesso ao sol. E a intensidade dos raios solares mais nocivos à pele é seis vezes maior no verão. Por causa disso acabam criando graves problemas de saúde, a partir de queimaduras. É preciso cautela ao tomar sol. Assim como no bronzeamento artificial, no bronzeamento natural também há proibições. Segundo a médica Flávia Dalledone, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Estética, regional paranaense, ‘‘não podem tomar sol os adolescentes com acne, quem passou por cirurgia plástica, consome antidepressivos, antiinflamatórios, usa ácidos na pele, têm manchas, história de câncer de pele, alergia’’. Enganam-se, por exemplo, os que imaginam que por ter a pele morena podem tomar mais sol. Os cuidados para evitar queimaduras devem ser os mesmos de quem tem pele clara. Há ainda os que apresentam alergia ao filtro solar. Se esse quadro persistir, é necessário descobrir os motivos através de exames laboratoriais.
A dermatologista lembra que as doenças de verão mais comuns que podem surgir com o calor são as micoses nas unhas e sola dos pés e em outras partes do corpo.‘‘É preciso manter o corpo sempre seco, não pisar descalço na areia, nas piscinas e outros locais por onde as pessoas circulam muito. O bicho geográfico também é perigoso, e quem possui animais, especialmente cães, deve evitar conduzi-los à praia, pois são transmissores do mal. Quem tem herpes, principalmente labial, também precisa tomar o máximo de cuidado’’.
Qualquer tipo de bronzeamento, seja artificial ou natural, promove um envelhecimento da pele e, quando em excesso, certos tipos de lesões pré-cancerosas ou cancerosas. Flávia Dalledone observa que é preciso avaliar se há necessidade de a pessoa se bronzear tanto. ‘‘Considera-se exagerada a exposição em torno de 2.300 horas de sol, equivalente a mais ou menos seis meses continuados, tempo considerado suficiente para gerar um câncer de pele’’, revela a dermatologista.
Proteção sempre Já o especialista em medicina alternativa Benedito José Paccanaro, que acaba de lançar o ‘‘Manual do Verão’’ (Editora Madras), dá preciosas dicas para manter-se saudável durante a estação mais quente do ano. ‘‘Em um país tropical como o Brasil, a preocupação com a proteção contra os malefícios causados pelos raios solares deve ser mantida o ano todo’’, explica Paccanaro. O maior erro das pessoas é acreditar que os cuidados com a pele só devem ser tomados no verão.
Durante as demais estações do ano, mesmo que o sol não apareça com grande intensidade, os raios solares também atuam no corpo humano. É preciso saber expor-se ao sol. ‘‘O sol melhora a elasticidade da pele e ainda levanta o astral. No tegumento, sob a ação dos raios ultravioleta, realiza-se a síntese da vitamina D, a partir do ergosteral. A vitamina D não é encontrada na maioria dos alimentos; estes contêm, em geral, um precursor que se transfere para a vitamina quando o corpo está exposto aos raios ultravioletas da luz solar’’, observa.
Paccanaro cita a helioterapia, um tipo de tratamento com raios solares para doenças como o vitiligo e psoríase. Os raios solares também podem ser benéficos para portadores de problemas respiratórios e de pressão alta. ‘‘O sol é tão importante para a saúde que regula o relógio biológico, fazendo com que o organismo reconheça o horário de ficar acordado e dormir’’, observa. ‘‘O ideal é evitar o período em que o sol está mais forte, das 10 horas às 15 horas. Ao meio-dia, a radiação é duas vezes maior do que às 8 horas ou às 15 horas’’, acrescenta.
As crianças também podem se beneficiar com os raios solares, desde que seja respeitado o horário determinado pelos especialistas. A partir de um mês, a criança já pode tomar banho de Sol. A mãe deve proteger o corpinho do bebê, especialmente o rosto e a cabeça. A exposição deve começar gradativamente, até atingir 30 minutos diários. Esta é também uma forma de ensinar as crianças como devem se proteger do sol, já que é mais difícil mudar os hábitos dos adultos. á

Dicas importantes
• Apertar cravos, clarear o buço ou tirar pêlos com a pinça são atitudes proibidas. Mexer na pele faz com que ela fique sensível e pode provocar uma reação inflamatória e manchas. A água oxigenada reage sob os raios solares causando manchas
• A radiação ultravioleta é dividida em três categorias: A, B e C. A praia é o local mais perigoso, pois os raios atingem a pele do corpo quase por inteiro. Além da radiação direta, cerca de 20% dos raios ainda são refletidos pela areia
• Nunca use bronzeador de folhas de figo. Elas têm uma substância que, em contato com o Sol, produz manchas escuras e queimaduras
• Com relação aos hidratantes dê preferência aos que contenham uréia e óleo de aveia, abacate, macadâmia ou amêndoas. São substâncias que têm capacidade de dar a umectação necessária à pele. Bem hidratada, ela fica saudável, forte e resistente
• Uma dieta rica em proteínas estimula a retenção da umidade da pele e assegura a sua cor. Frutas como o melão, maracujá e abacaxi ajudam na hidratação da pele
• Use diariamente protetores solares ou hidratantes com filtros contra os raios UVA E UVB, para evitar queimaduras, ajudar no combate ao envelhecimento precoce e prevenir o aparecimento de câncer de pele
• Também é importante proteger-se com roupas adequadas, de preferência claras, e bonés
• Se a queimadura provocou bolhas e a pele estiver muito dolorida, procure um médico. Nunca passe álcool no local para refrescar a pele
O que fazer no caso de queimadura por exposição excessiva ao sol:
ᕠColoque, por alguns minutos, rodelas de batata na região queimada
• Polvilhe a região afetada com bastante amido de milho
• Encha uma banheira com água morna, quase fria, e acrescente duas xícaras de aveia; fique de molho durante alguns minutos
• Passe um hidratante e faça compressas geladas de leite ou iogurte várias vezes ao dia
• Adicione três colheres de chá de bicarbonato de sódio na água da banheira
• Faça compressas de camomila

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