Quer mudar o visual? Mude a cor dos cabelos!
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 06 de março de 2008
Ciça Vallerio<br> Agência Estado 
Calcula-se que 60% das brasileiras tinjam o cabelo. A maioria delas (39%) aplica a tintura em sua própria casa, por questão de economia. Mas 15% só o fazem no salão, e 7% revezam - executam o serviço por conta própria e, em outro momento, o deixam a cargo de profissionais. Se, anos atrás, as mulheres recorriam à tintura unicamente para cobrir os fios brancos, hoje, elas mudam a cor dos cabelos para ficar na moda.
Outra mudança de comportamento refere-se à faixa etária: as mais jovens usam cada vez mais coloração. Em 2001, mulheres entre 15 e 25 anos representavam 47% desse mercado consumidor. Em 2005, o número saltou para 58%, conforme dados da L'Oréal, uma das marcas líderes do setor. Segundo pesquisa da Koleston, outro nome forte do mercado, 55% coloriram seus cabelos pela primeira vez antes dos 25 anos.
Fios mutantes
- Coloração permanente: indicada para quem tem cabelos brancos ou quer mudar radicalmente a cor dos fios. Por causa da maior fixação, a fórmula desses produtos leva amônia, que abre as cutículas da haste capilar, para depositar os pigmentos da tintura.
- Tonalizante: chamados também de semipermanentes, esses produtos contêm baixa dosagem de água oxigenada (conhecida como ''oxidante''). Por não alterarem a estrutura dos fios, a coloração é feita superficialmente. Por isso, a cor sai gradativamente durante as lavagens. São indicados para quem não quer mudanças radicais e pretende apenas realçar a cor.
- Xampu colorante: em vez de amônia, leva oxidantes na sua composição. Não sai com lavagens e cobre cabelos brancos. Tem consistência líquida, é aplicado como um xampu e age cerca de 30 minutos. É também chamado de xampu permanente.
Todo cuidado é pouco
Não tem jeito: tintura tende a ressecar o cabelo porque altera as propriedades da queratina, que é um protetor natural dos fios. É o que alerta a dermatologista Flávia Addor, diretora técnica da Medcin, laboratório de pesquisa clínica. O problema mais comum, segundo a médica, é usar o produto de forma errada - deixar a química agir por mais tempo do que o prescrito, fazer misturas caseiras, utilizar itens não indicados pelo fabricante durante o preparo.
''São erros que podem causar irritação no couro cabeludo, alteração de brilho e má ''penteabilidade'' (os fios embaraçam facilmente)'', explica Flávia. ''As marcas atuais desenvolveram tecnologia para preservar ao máximo a integridade da queratina, por isso, é importante investir em produtos conceituados, seguir rigorosamente as instruções de aplicação e, de preferência, procurar um profissional.''
Respeitar o intervalo entre uma tintura e outra é fundamental. Esse tempo - que pode ser de um mês ou mais, dependendo da condição do cabelo - é necessário para a recuperação dos fios. Errar a cor e ter de descolorir os fios para colori-los novamente é um processo altamente agressivo, conhecido por decapagem. Outra dica: não faça coloração no mesmo dia de procedimentos químicos, como alisamento, relaxamento, escova definitiva, etc.
Segundo o dermatologista Valcenir Bedin, presidente da Sociedade Brasileira para Estudos do Cabelo, uma vez destruída, a haste capilar nunca mais volta ao normal. É possível apenas amenizar o estrago e melhorar a aparência do cabelo. Quando o processo já está feito, Bedin indica: hidratação, para que o fio retenha umidade; cauterização com queratina, aplicada com chapinha, que ''preenche'' os espaços entre as cutículas, que ficaram abertas por causa da agressão química; e reconstrução capilar, que é a mistura dos dois processos.
''A principal queixa entre as mulheres é que a textura do cabelo muda após a tintura aplicada em excesso ou malfeita'', conta o médico, que costuma atender no Spa do Cabelo, salão que alia estética e tratamentos. ''Outra reclamação refere-se à eletricidade estática capilar, que piora com a tintura, dificultando o penteado. Nesse caso, indico aplicação de silicone ou produtos termo-ativados (mistura industrializada, que leva silicone e açúcar).''
Uma vez colorido, o cabelo necessita de cuidados especiais, por ter sofrido ação química. Principalmente, para os mais estragados. Vale investir em xampus e condicionadores, entre outros produtos específicos para quem usa tintura; hidratar sempre os fios, de preferência, com produtos de tratamento intensivo. Após a lavagem, é válido ainda passar leave-in (sem enxágue) e finalizar o penteado com silicone. Ambos protegem as cutículas dos fios, retendo a umidade.
A opinião dos profissionais
''O loiro chapado está fora de moda, além do mais, torna a expressão muito pálida. Mesmo para quem tem pele e olhos claros, aconselho quebrar a loirice colorindo com loiro escuro e, aí sim, fazer reflexos. Fica mais elegante. Mas cuidado: é arriscado uma morena tentar ficar loira aplicando uma coloração em casa, achando que vai ficar igual à modelo da embalagem. Por causa da pigmentação escura dos fios, ela vai adquirir um tom alaranjado, na melhor das hipóteses. Para cada cabelo, há uma técnica e o resultado depende muito das condições dos fios.'' (Rodrigo Cintra, De La Lastra).
''Os tons de chocolate estão em alta e têm muito a ver com a tendência do natural. É a cor que está quebrando a onda do loiro. Para o verão, o marrom ganha luminosidade com pontas 'queimadas' e bem definidas por flashes de tons loiros, em vez do tradicional reflexo e luzes espalhados nos fios. No entanto, não aconselho essa tonalidade para peles muito brancas, porque pode ficar com expressão pesada e abatida. É ideal para a maioria das brasileiras. Na hora de definir a cor, peça a orientação de um profissional.'' (Wilson Verillo, Jacques Janine).
''Ruivo é um dos tons de que mais gosto. A mulher que usa essa cor tem personalidade, atitude. Antes, o vermelho acobreado era indicado para peles claras, já o vermelho acaju, para peles mais escuras. Hoje, o uso está mais livre, assim como a moda.'' (Celso Kamura, do C. Kamura).


