Quem dança seus males espanta
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quinta-feira, 13 de maio de 2010
Micaela Orikasa<br>Reportagem Loca 
Thalia Perucci Monteiro, de 7 anos, descobriu nas aulas de balé, um remédio para se acalmar e até se concentrar. A mãe, Fernanda, explica que há um ano foi chamada na escola por conta do baixo rendimento da filha e. após inúmeros exames, descobriu que Thalia sofre de Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH).
''Ela estava muito agressiva e extremamente agitada, além disso, não conseguia se concentrar em algo por mais de 40 minutos'', conta a mãe, que não aceitou continuar com a forte medicação indicada por um especialista e resolveu matriculá-la em uma escola de dança. ''Dançando, ela passou a se concentrar e se relacionar melhor com as pessoas. Ela fica bem mais calma e obediente'', diz a mãe, que agora está aliando as aulas a um tratamento homeopático.
''É necessário se atentar ao ritmo da criança e descobrir o que a faz se sentir melhor, o que lhe dá prazer'', garante o psicólogo e mestrando em análise do comportamento, Robson Zazula.
Esse tema surgiu a partir de uma pesquisa realizada com crianças de sete a 12 anos, em Porto Alegre (RS) e São Paulo (SP), apontando que oito em cada dez tinham manifestações psicossomáticas e apresentavamm problemas de saúde para os quais não há causa clínica determinável.
O estudo, realizado e divulgado pela ONG Internacional Stress Management Association (Isma-BR), que trabalha a prevenção e o tratamento do estresse, mostra que a rotina atribulada, as críticas e a desaprovação dos pais são as principais causas desencandeadoras do estresse em crianças.
''Esse problema, geralmente associado aos adultos, também passou a afetar as crianças recentemente por consequência da vontade dos pais em formar filhos ideais para o mercado de trabalho. Prova disso é que hoje é possível encontrar crianças com inúmeras atividades extracurriculares'', diz.
As manifestações mais comuns de stress infantil são dores sem causa específica, pesadelos, insônia, choro excessivo, impaciência, dificuldade de relacionamento, desatenção, mudanças no apetite, ranger dos dentes, entre outros.
''Os pais devem estar atentos a cada sinal, mas ele só se tornará preocupante quando existir uma continuidade. Cabe aos pais observar a intensidade destes sintomas'', ressalta.
Robson ainda afirma que se as atividades extracurriculares não forem excessivas, elas desempenham um lado positivo, proporcionando momentos de lazer e diversão para a criança. ''Isso pode até ajudar no processo de amenizar e até acabar com o estresse'', acrescenta.


