Festas juninas e Copa do Mundo juntas, alegria à parte, compõem também uma mistura explosiva. Muita gente que estava comemorando acaba indo para o pronto-socorro por causa de queimaduras provocadas por fogos de artifício. Só na ala de queimados do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba foi constatado um aumento de 40% no número de casos por causa de rojões e bombas. Na região de Maringá, também cresceu o número de jovens acidentados. Os casos mais comuns são de pessoas que perdem dedos e até mesmo as mãos atingidos por rojões. Outro risco é de fogos armazenados irregularmente, que já destruíram quadras inteiras em São Paulo, Rio de Janeiro, Curitiba, Recife, onde sempre acontecem acidentes nas festas de junho.
Em alguns hospitais de Maringá, no mês de junho, foram registrados casos de queimaduras com bombinhas entre crianças de 10 a 15 anos. ‘‘Mas, por enquanto, nada muito grave’’, conta a enfermeira Ivone Santos. ‘‘No ano passado vi um jovem de 14 anos com dois dedos amputados por causa de um rojão que explodiu em sua mão’’, lembra a enfermeira.
Segundo a médica Mariângela Galvão, da Secretaria de Estado da Saúde, não existe um controle estatístico de queimaduras por fogos de artifícios. Mas sabe-se que nesta época aumenta o número de acidentes.
Perda de dedos O médico cirurgião plástico João Baréa, do Serviço de Cirurgia Plástica e Queimados do Hospital Universitário Evangélico de Curitiba, conta que neste mês, por causa das comemorações, é comum aumentar cerca de 40% o número de casos. Os acidentes mais comuns são os de perda de dedos e queimaduras de segundo e terceiro grau. Em alguns casos mais graves acontece a amputação do antebraço’’, conta o médico. ‘‘Poderia existir proibição para os menores de 18 anos, pois os mais jovens ainda não são muito responsáveis’’, sugere o médico. ‘‘É preciso mais segurança, e o usuário deveria usar uma proteção para as mãos como aquela luva de couro mais resistente (luva de raspa) para acender fogos’’, sugere Baréa.
O cirurgião plástico diz que, normalmente, a amputação é traumática porque os fogos são muito potentes. E que só profissionais deveriam mexer com estes artefatos. Segundo o médico, a maioria dos casos acontece com pessoas entre 15 e 30 anos. ‘‘Os mais velhos são mais cautelosos. E os fogos utilizados por crianças têm menor poder de agressão e fazem queimaduras superficiais de primeiro grau (que só avermelha a pele). Outros tipos, como rojões, já provocam as de segundo grau, com bolhas que cicatrizam espontaneamente, e as de terceiro grau, que exigem internamento e enxertos’’.

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