Quebre a tradição à mesa no Natal e no Revéillon
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 22 de dezembro de 2006
Adriana Cardoso<br> Agência Estado 
Preparar as ceias de Natal e Ano Novo costuma ser um suplício para muita gente. Geralmente os anfitriões ficam tão cansados, que, quando chega à meia-noite, contam os segundos para tudo acabar logo e ir para a cama. Organizar-se com antecedência, escolher ingredientes fáceis e brasileiros e unir a família ou os amigos em torno dos preparativos são boas dicas para deixar as comemorações menos cansativas. Afinal, quem estabeleceu que as ceias devem conter pratos requintados e de difícil preparação?
Para a chef de cozinha Heloísa Bacellar, sócia-proprietária do Atelier Gourmand, de São Paulo, ''é preciso desmistificar um pouco'' as ceias. ''Devemos fazer o que gostamos de comer'', decreta. As iguarias que fazem parte das ceias são um misto de muitas culturas. O tradicional peru, por exemplo, é uma tradição americana e o panetone, italiano. Mas não existe uma regra determinando que no Brasil ou em qualquer parte do mundo tem de ser assim. Esse é um daqueles hábitos que incorporamos sem perguntar por quê. Além disso, muitas dessas receitas são pesadas para servir nessa época do ano, já que no Brasil é verão. No Hemisfério Norte, não há muito problema em comer pernil e muita castanha, já que lá é inverno. Por aqui, ao contrário, se consumidas em excesso, podem provocar problemas digestivos.
Mais Brasil à mesa
Heloísa defende ingredientes brasileiros à mesa, já que a variedade de verduras, frutas e legumes por aqui é infinita. No lugar da tradicional salada de maionese, ultracalórica e arriscada para servir no calor, por causa do risco da salmonela (leia texto abaixo), que tal preparar uma salada de folhas diversas? ''Nesta salada pode-se colocar tomates, ervas e fazer um molhinho gostoso para acompanhar'', ensina a chef. Tudo muito simples, de comer com os olhos.
Dependendo da quantidade de pessoas que comparecerão à ceia, em vez do peru inteiro, o anfitrião da festa pode comprar dois peitos, assá-los com diversas ervas, fatiá-los e servi-los com um molho especial. ''Enquanto para assar o peru inteiro a pessoa vai gastar de 5 a 6 horas, assando o peito levará, no máximo, uma hora e meia'', garante Heloísa.
De sobremesa, a dica de Heloísa é servir frutas com sorvete. Se o grau de intimidade entre as pessoas for grande, o evento pode ficar mais divertido com todo mundo ajudando. ''Não tem nada demais pedir ajuda, mas se puder preparar antes, é melhor, para que o anfitrião possa participar da festa.'' Mas, se não deu tempo, a chef, autora do livro ''Cozinhando para Amigos'' (Editora DBA, 350 págs), não vê problema em pedir ajuda para que um amigo ajude a fatiar o abacaxi, o outro a descascar a manga.
Agora, se, além do tempo curto, ninguém gosta ou leva jeito para botar a mão na massa, Heloísa não vê problema em recorrer a uma confeitaria bacana para comprar uma sobremesa gostosa.
De olho na saúde
A coordenadora do Centro de Educação Alimentar Sanavita e phd em nutrição, Andréa Dario Frias, atenta também que uma mesa à brasileira é mais saudável. Frutas e legumes de época, como o abacaxi e o pêssego, contêm muito mais nutrientes. ''As pessoas geralmente se esquecem que os cuidados com a alimentação devem ser o ano inteiro'', diz.
Se você se inclui na lista dos cuidadosos com a alimentação, não há o menor problema em ''abusar'' de vez em quando. Mas com cuidado, é claro. Andréa salienta que nos períodos de festas os casos de intoxicação alimentar aumentam, especialmente por causa do calor.
Obviamente, você não precisa se sentar à mesa e ficar contando as calorias, mas atentar para a qualidade do que vai ingerir é fundamental se não quiser terminar as festas dentro de um hospital. Andréa recomenda algumas trocas. ''Nos petiscos, em vez de servir frituras, sirva castanhas e frutas secas, como o damasco, que são muito saudáveis (se ingeridos com moderação). No lugar dos queijos amarelos, prefira os brancos. Nos patês, em vez da maionese use a ricota ou iogurte. Fica tão saboroso quanto'', afirma.
Quanto às carnes, a especialista em nutrição orienta a troca do leitão, do cupim e da picanha, cheios de gordura e muito mais calóricos, pelas aves e peixes como o salmão. ''Essa época é muito quente e precisamos comer coisas mais leves'', frisa.
Numa ceia, ela relata ser muito comum a pessoa consumir umas 5 mil calorias, quando o ideal para um adulto que não pratica atividade física é ingerir, diariamente, de 1800 a 2000 (mulher) e de 2000 a 2400 (homem) calorias diárias.


