A correria de todo o dia parece reduzir drasticamente o tempo de dedicação entre os casados. A rotina de trabalho, de cuidados com a casa e os filhos e uma certa acomodação engolem os momentos de namoro, cedendo espaço para a monotonia. A conhecida frase ‘‘Casados, eternos namorados’’ só é lembrada pelo comércio, estrategicamente é claro, neste período do ano.
Muitos casais, entretanto, lançam mão de pequenos (ou grandes) cuidados recíprocos, uma verdadeira conquista diária, que fazem valer o apregoado verso do poeta Vinícios de Moraes: ‘‘Que seja infinito enquanto dure.’’
De mãos dadas, a jornalista Helenida Taufik Tauil da Costa Branco, 44 anos, e o engenheiro civil Carlos José da Costa Branco, 46, contam que a sua história de amor começou no início de novembro de 1975. O casamento aconteceu em 1982. Hoje, as filhas Natália, 13 anos, e Renata, 8, integram o enredo.
‘‘Ele faz a vida ficar melhor’’, diz Helenida. Mas quem a chama de ‘‘vida’’ é o marido. Num cartão ainda guardado na carteira dela, ele escreveu, em janeiro de 78: ‘‘Vida, sabe que te gosto muito? Um beijão, com amor.’’ Em janeiro de 95, ele também declara: ‘‘Helenida, não sei viver sem você. As dificuldades devem nos unir ainda mais. Te amo.’’
Em tempos de alta tecnologia, as declarações chegam também via e-mail, lembra Helenida, como na recente mensagem enviada pelo marido. que inclui uma música do cantor Renato Russo em versão italiana.
Helenida comenta outros exemplos de ‘‘delicadezas’’ de Carlos José: ‘‘Como sempre tive insônia e, quando ainda não tínhamos filhos, ele cansou de tirar o pijama e me levar para passear.’’ Fechar a porta do quarto ao sair de manhã, enquanto ela ainda dorme e levar o remédio quando ela não está bem, fazem parte da lista de gentilezas. E flores? Embora mais esporadicamente, ela revela que algumas datas são lembradas pelo marido com rosas.
‘‘Não sou muito bom nisso, mas Helenida é compreensiva’’, observa Carlos José quando o quesito é romantismo. Declara que a mulher é inteligente, espirituosa, afetiva. ‘‘Aprendi com ela a demonstrar mais os sentimentos’’.
Carlos José comenta atitudes do dia-a-dia da mulher que soam como elogio: ‘‘Helenida lembra de datas, de detalhes ao preparar minha mala. É ela também quem se encarrega de renovar o meu guarda roupa.’’
Romantismo ‘‘Disso nós gostamos’’, diz o agropecuarista Gerson Gonçalves, 63 anos, ao atender o pedido da fotógrafa para que segurasse a mão da mulher, Irani, 61 anos. No próximo mês, eles completam 41 anos juntos. ‘‘Foi paixão à primeira vista’’, revela Gerson. Do tempo de namoro ainda guardam ‘‘um metro’’ de cartas trocadas entre 1958 e 1960, quando Gerson morou nos Estados Unidos e Irani estudava em Macaé, Rio de Janeiro.
Para ele, falta romantismo na vida dos casais. ‘‘Abrir a porta do carro para a mulher, mandar uma flor, fazer um elogio, um telefonema, um agrado, são de grande importância na relação’’, observa. ‘‘Gerson nunca esquece da data do meu aniversário, de comemorar o Dia das Mães, sempre me dá flores, convida para jantar’’, comenta Irani.
Entre as constantes demonstrações ‘‘de carinho’’ da mulher, Gerson destaca: ‘‘Cozinhar bem os pratos que eu mais gosto e a preocupação com a minha saúde’’ Conta, também, que sempre admirou o capricho de Irani com a casa, a mesa para as refeições sempre muito bem arrumada, e de como a mulher sabe receber as pessoas. À relação, Irani acrescenta que ‘‘nunca relaxar com as roupas íntimas’’ é também um cuidado que sempre teve.
Gerson acredita que o que os mantêm enamorados foi saber dosar a atenção aos filhos e ao relacionamento. O casal tem dois filhos e uma filha, já casados, e cinco netos com idade entre 2 e 12 anos. ‘‘Irani sempre foi boa mãe, sem ser supermãe, e eu, um bom pai, sem ser superpai. Sabemos que vamos terminar a vida como começamos: os dois juntos.’’
Um ingrediente positivo no casamento é a ausência de monotonia, ressalta Gerson. Ele relembra que viajava muito a negócios no início do casamento. ‘‘O reencontro era sempre prazeroso e havia o sonho do contato.’’
Na opinião de Gerson, que também é Pastor, o homem e a mulher modernos, correndo atrás do sucesso profissional e social, não têm tido tempo para a família. ‘‘Hoje, os casais priorizam os aspectos econômico e profissional e a família fica em segundo plano. Para mim, a família sempre foi primordial’’, complementa Irani.

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