Que língua é essa?
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sexta-feira, 07 de novembro de 2008
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
Agora não tem mais jeito: o presidente Lula assinou o Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa e, a partir do próximo ano, todos os brasileiros terão que reaprender a escrever certas palavras. Na verdade, apenas 0,5% dos vocábulos usados no Brasil sofrerão mudanças. Trabalho maior terão os portugueses, que irão mudar 1,6% de suas palavras.
Mas como isso afeta a vida de quem está aprendendo as regras e singularidades de uma das línguas mais ricas do mundo? Segundo o professor de português Carlos Fortes, que dá aulas preparatórias para vestibular e concursos públicos, as alterações não representam um problema para os estudantes. ''Os alunos não estão muito preocupados. No vestibular não existem questões específicas de gramática e ortografia e as novas regras são simples, fáceis de ser assimiladas. A reforma vai perturbar muito pouco'', diz.
Para ele, outros pontos deveriam ter sido observados. ''Na minha opinião, as mudanças foram mínimas. Acho que a reforma deveria ser mais abrangente, pegar outros pontos que não somente a ortografia. O grande problema dos alunos não é escrever palavras erradas, mas construir frases inteiras sem regência e com sentido equivocado. Precisamos mesmo é mudar a maneira de ensinar português. Herdamos uma língua que não merecemos, uma língua rica, musical. Aí ficamos tentando simplificar o que não é simples e só pioramos a situação do aluno, que se preocupa com regras e não com interpretação e raciocínio'', comenta.
De acordo com a coordenadora pedagógica da Escola Educativa, Michelle Brambilla Kozuki, a unificação da língua em todos os países qua falam português é uma das grandes vantagens do acordo. ''Isso será bom para o intercâmbio de informações, para a publicação e tradução de livros, que seguirão uma única regra e para a integração dos países'', comenta.
Já para os colégios e professores, o acordo representa um pouco de trabalho. ''Estávamos há anos ensinando uma coisa que agora precisa ser mudada. Os professores terão que se preparar para passar o novo conteúdo para os alunos. Acredito que a parte mais difícil será a acentuação'', afirma. ''Essa não é a primeira vez que o português sofre alterações. As mudanças são necessárias para adequar a língua a sua realidade'', completa a professora de português da Educativa, Eliane Luiza de Aguiar.
Ela afirma que os alunos que ainda não tiveram conhecimento das regras de português vão aprender mais facilmente. Já os que estudaram as regras antigas e agora precisam se atualizar, as alterações serão ensinadas aos poucos, conforme elas forem surgindo, inclusive, trabalhando muito mais a fonética'', diz.


