Quarenta anos de divã
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quinta-feira, 29 de agosto de 2002
Célia Guerra<BR>Reportagem Local 
O aprofundamento nas pesquisas relacionadas ao comportamento humano e sua interação com o ambiente, e o surgimento de um profissional mais generalista, ou seja, com maior campo de atuação na comunidade graças a mudanças que têm ocorrido nos últimos anos no currículo dos cursos de Psicologia pelo Brasil , são, para os especialistas da área, os principais motivos de comemoração nesses 40 anos da Psicologia no Brasil. No dia 27 de agosto comemorou-se também o Dia do Psicólogo.
A psicologia, como explica a psicóloga Nione Torres, ''é uma ciência que acompanha o ser humano em todo o seu ciclo de vida (da gestação até a morte)''. No Brasil ela é quase uma novidade a psicoterapia tem mais de 100 anos mesmo assim, a evolução nas linhas de tratamento são evidentes e se igualam ao que é praticado nos países desenvolvidos. ''Hoje vemos uma psicologia preocupada em buscar ações para a saúde do indivíduo na sua totalidade''.
Para o psicólogo José Antônio Baltazar, que é professor no Centro Universitário Filadélfia (Unifil), a psicologia é um ''instrumento de prevenção''. Por isso, deve sair do modelo clínico para agir inserida nos movimentos sociais, alertando, informando. ''Não somos uma ciência para loucos'', destaca.
O mundo hoje, segundo o psicólogo Anizio Henrique de Faria Júnior, exige do homem um trabalho mental acima de suas condições reais. A desproporção entre as exigências e a capacidade de lidar com elas, explica o psicólogo, produz um déficit interno que tem recebido nomes como síndrome do pânico, depressão. Para fugir disso, há quem se anestesie com o uso do álcool, drogas e medicamentos. ''são os falsos fortificantes para enfrentar as exigências da vida''.
Anizio afirma que a psicologia, além de analisar esses fenômenos, tem o compromisso de cooperar para que as pessoas através de uma ''higiene mental'' tal e qual outra higiene que se proporciona ao corpo criem espaços de 'respiração-reflexão', e revisem seus conceitos de vida, colocando barreiras nessas tormentas.
Baltazar completa dizendo que é papel da psicologia ajudar a pessoa a descobrir que não somos tudo e não podemos tudo. ''Quando reconhecemos nossas capacidades somos capazes de produzir para nós mesmos e para os outros''. Por isso, ele volta a defender que essa ciência seja mais ''socializada e acessível ao povo''. O psicólogo informa que a Câmara de Vereadores já aprovou a obrigatoriedade de um psicólogo nas escolas dos municípios. ''Até agora nenhum prefeito a fez valer'', critica.
A profissão, segundo Baltazar, está em evidência. ''Toda vez que temos crises de identidade, sociais, econômicas mais se procura um psicólogo, uma relação de ajuda'', defende. Para ele, a psicologia, apesar de estar estabelecida, precisa ''alinhar as várias escolas''. ''Se colocar como escola analítica ou comportamental é tudo bobagem. O entendimento do ser humano deve ocorrer sob diversas óticas. É preciso competência''.
O curso, informa o professor, tem uma grande procura. Tanto que a instituição em que trabalha, já instalou até mesmo o curso de Psicologia no perído noturno. A profissão também deixou de ter a característica feminina. ''Muitos homens se formam a cada ano''.
Baltazar reconhece que o mercado de trabalho está saturado nos grandes centros, mas as cidades do interior, para ele, precisam dessa ajuda. n


