Quanto mais cedo, melhor
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 30 de julho de 2009
Micaela Orikasa<br>Reportagem Local 
Quando o assunto em questão é a idade mais adequada para iniciar um aprendizado de outro idioma, a resposta dos especialistas é unânime: quanto mais cedo, melhor.
Ao nascer, o cérebro tem uma plasticidade neural muito grande, uma capacidade de aprendizado que declina com a idade. E, para algumas habilidades, declina mais rapidamente do que para outras, afirma o neurocientista Marcus Vinícius Baldo, professor do Instituto de Ciências Biomédicas da Universidade de São Paulo (USP) e presidente da Sociedade Brasileira de Neurociências e Comportamento.
Isso também foi comprovado por uma pesquisa específica realizada pela Universidade de New York, embasada em imagens do cérebro, que explica as vantagens de adquirir fluência numa língua estrangeira precocemente. O estudo revela que o contato assíduo com outro idioma na infância ajuda a armazenar palavras e gramática em uma região do cérebro contínua a que comanda a fala, que assim flui naturalmente. Constatações como essa influenciaram muitos pais a procurar cursos de idiomas para seus pequenos e, consequentemente, mais escolas foram abertas para atender a demanda.
Decidimos matriculá-la no curso porque ela adora cantar musiquinhas em inglês e já demonstra uma pronúncia muito boa para a idade, conta Vânia Martins, mãe da Isabel Manzutti, de 3 anos, aluna da turma infantil da escola de idiomas Number One.
Junto com outras crianças, a pequena Isabel participa de aulas propostas em uma metodologia específica para a idade. Segundo a proprietária e coordenadora pedagógica da escola, Andrea França Zavierucha, o aprendizado infantil é estimulado através de fantoches, brinquedos, figuras e muita conversação em inglês. Além dos quadros eletrônicos E-Board com acesso à internet, garantindo um ensino mais dinâmico, interativo e eficiente, completa.
Andrea também destaca a turma Senior English, indicada exclusivamente para atender pessoas a partir de 50 anos. Como é o caso de Carmem Siqueira de Carvalho, de 83 anos. Acho importante aprender o idioma para me virar quando viajo para fora do país, pois costumo fazer isso sozinha. Quando eu digo que vou à escola, muitas pessoas admiram minha coragem, mas eu encaro isso como um desafio, conta Carmem, que já carimbou o passaporte para os Estados Unidos, Portugal, Espanha, Itália, Paris, Grécia, Inglaterra, Mônaco, entre outros.
Ensino bilíngue
Ao invés de apostar em cursos especializados no ensino de idiomas, muitos pais estão investindo em escolas de educação bilíngue, onde o aluno é exposto a um processo de imersão diária em dois idiomas.
A criança, desde pequena, desenvolve muita habilidade na fala/pronúncia e na compreensão de uma outra língua. Isso é comprovado, explica Márcia Kobayashi, diretora e coordenadora pedagógica da St. James Internacional School, cujo currículo inclui as línguas portuguesa e inglesa.
Ela explica que a educação bilíngue não trabalha com tradução simultânea, mas com uma metodologia baseada no processo de aquisição, que engloba a complexidade da língua, assimilação do conceito da palavra, espiral ascendente (repetição do conceito em diferentes contextos) e exposição diária. Além do que acreditamos ser o diferencial, que é ensinar o aluno a pensar em inglês.
Segundo Márcia, existem duas situações que levam os pais procurarem uma escola bilíngue. Uma pelo mercado de trabalho, que exige um conhecimento globalizado, e pela formação de valores éticos, morais e culturais, voltado para o respeito às diferenças, ressalta.
Fato relatado também pela doutora em estudos de linguagem Janaína Cardoso, pela Universidade Estadual do Rio do Rio de Janeiro (UERJ), ao revelar que os alunos bilíngues adquirem competências e habilidades que abrem portas no mercado de trabalho, pois as empresas estão atuando em contextos plurais, fruto da globalização e do processo tecnológico.
Na família Mozzaquatro, a decisão em matricular o filho André, de 6 anos, em uma escola bilíngue se deve à visão de futuro. A mãe, Maria, comenta que a precocidade no aprendizado da língua inglesa é vista como uma escolha positiva, pois o conhecimento se estende tanto à valorização profissional, quanto ao desenvolvimento humano. E o retorno, segundo ela, é muito satisfatório. Ele gosta do inglês e por isso, demonstra muita dedicação, principalmente quando assistimos a um filme e ele faz comentários sobre a língua, comenta.


