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quinta-feira, 01 de agosto de 2002
Érika Pelegrino<br> Reportagem Local 
Luciene Alves de Oliveira Pereira, 18 anos, levou o maior susto quando viu sua filha logo após o nascimento o bebê nasceu com fissura lábio-palatal a mãe nunca tinha ouvido falar do problema. ''Eu pensei que ela ia morrer, que era alguma doença'', conta.
Profissionais do Centro de Apoio e Reabilitação dos Portadores de Fissura Lábio-Palatal de Londrina e Região (Cefil) foram comunicados pelo hospital do nascimento de Bianca e foram atender os pais. ''Quando voltei para o quarto já tinha gente do Cefil para me explicar o problema da minha filha'', conta.
Ainda no hospital, Luciene foi orientada sobre a importância de iniciar o tratamento logo e de seguir todas as recomendação para a recuperação de sua filha. A jovem também recebeu orientações práticas sobre a forma correta de amamentar para evitar que a pequena Bianca engasgue ou devolva o leite. Luciene seguiu à risca todas as orientações e neste mês sua filha já fará a primeira cirurgia de correção, feita no terceiro mês de vida.
Tratamento a sério André, portador de fissura no lábio e no palato, é outro paciente do Cefil. Ele faz fonoterapia desde os 18 meses e com apenas 5 anos está prestes a receber alta. ''A mãe levou o tratamento a sério. Nesses casos sabemos que vai ter resultado. É diferente daqueles que sempre faltam'', afirma a fonoaudióloga Adriana Rossine Calixto. O garoto faz fonoterapia desde os 18 meses.
As fissuras lábio-palatais são malformações congênitas caracterizadas por aberturas ou descontinuidade das estruturas do lábio e/ou palato, de localização e extensão variáveis (Montagnoli, 1992). De acordo com estatísticas de Bauru (SP), centro de referência no assunto, para cada 600 crianças nascidas, uma apresenta algum tipo de fissura.
O Cefil, que faz o atendimento multidisciplinar e encaminha para as cirurgias no Hospital Infantil, gratuitamente, atende atualmente 380 pacientes, sendo 189 de Londrina.
Orientação Adriana Calixto afirma que existem três tipos de fissura: só de lábio (Pré-forame incisivo), só de palato (Pós-forame incisivo) e de lábio e palato (Transforame), que é o caso da pequena Bianca.
As causas são multifatoriais. As fissuras podem ter origem genética ''temos famílias com apenas um dos filhos com o problema e outra com três filhos'', exemplifica a fonoaudióloga. Fatores ambientais, como o uso de agrotóxicos na agricultura, drogas, bebidas e estresse também podem causar o problema.
Adriana Calixto afirma que a utilização de medicamentos durante a gestação e a falta de vitaminas, também durante a gravidez, podem ser responsáveis por fissuras lábio-palatais. Uma parte importante do trabalho do Cefil é a orientação dos pais para a importância de iniciar o tratamento assim que a criança nasce. ''A recuperação vai depender de não se perder os prazos das cirurgias'', explica a fonoaudióloga. n


