Quanto mais
cedo melhor
A ortopedia funcional dos maxilares é recomendada para crianças e ajuda a prevenir futuros problemas ortodônticos
Celso Mattos
e Lilian Santos
Agência Estado

Marcos Borges‘‘Durante a fase de crescimento crânio-facial é mais fácil corrigir essas disfunções’’, afirma o dentista André PfeifferOs problemas ortodônticos estão se tornando cada vez mais comuns. Os casos mais frequentes são má-formação facial, mordida aberta, apinhamento dentário, mau posicionamento dos dentes e mordida profunda. ‘‘Todas essas disfunções podem ser detectadas na infância e devem ser tratadas antes da dentição permanente’’. A afirmação é do ortodontista Sérgio de Araújo Cintra Camargo, de São Paulo, que há 12 anos trata de crianças e adolescentes.
Segundo o cirurgião-dentista, parte do problema é consequência dos maus hábitos adquiridos na infância como sucção de chupeta ou dedo. ‘‘Além disso, os pais precisam ficar atentos ao distúrbio da respiração bucal provocado por alergias, renites ou adenóides. Isso acaba influenciando no posicionamento dos dentes e, consequentemente, provocando a má-oclusão’’. As crianças que têm esse hábito, geralmente, mantêm os lábios caídos, a boca entreaberta e a língua sobre os dentes, podendo causar a hipotonia (flacidez) dos músculos da face e da língua. ‘‘Esses problemas também podem ser causados por falta de mastigação de alimentos sólidos’’, diz Camargo.
A criança que tem o hábito de chupar dedo ou chupeta - após os 3 ou 4 anos - tende a apresentar, por exemplo, a mordida aberta. ‘‘Já a que dorme com a boca aberta pode desenvolver inadequadamente o palato (céu da boca). Isso provoca o crescimento exagerado do maxilar superior, como aconteceu com o queixo do falecido compositor Noel Rosa’’, exemplifica o dentista
Paulo WolfgangFablio Castilho está usando aparelho há três meses e já obteve bons resultados
Crescimento A ortopedia funcional dos maxilares é recomendada para todas as crianças que apresentam problemas ortodônticos e que estejam em fase de crescimento crânio-facial. ‘‘Essa fase vai até os 13 anos para os meninos e 11 anos para as meninas. No caso de dúvida sobre a idade cronológica da criança, deve ser feita a radiografia da mão para diagnosticar o crescimento facial’’, informa o ortodontista Sérgio de Araújo.
O sucesso do tratamento depende do uso correto dos aparelhos móveis. ‘‘Eles ficam soltos na boca para estimular a formação correta das bases dentárias. São feitos de base acrílica, com fios de aço adaptados aos dentes, e devem ser usados 24 horas por dia, sendo retirados apenas durante as refeições’’. Dependendo do caso, o tratamento ortopédico funcional pode durar entre dois ou três anos e deve ter o acompanhamento integrado de ortodontistas, fonoaudiólogos e otorrinolaringologistas.
Vantagens Na opinião do cirurgião-dentista que trabalha com ortopedia funcional, André Pfeiffer da Silva, de Londrina, entre as vantagens do tratamento de problemas ortodônticos na infância estão a garantia do sucesso e o preço mais acessível. ‘‘É mais fácil corrigir essas disfunções na fase de crescimento do que depois de adulto’’. O tratamento com ortopedia funcional dos maxilares é mais simples e o preço fica, em média, um terço do valor se comparado ao tratamento com aparelho fixo que é indicado para adultos.
Segundo André Pfeiffer, a prevenção, a interceptação e a solução dos problemas ortodônticos na infância podem impedir que na fase adulta a pessoa passe por uma cirurgia do maxilar. Ele diz ainda que o tratamento de ortopedia funcional dos maxilares evita que, no futuro, a pessoa sofra com dores de cabeça, de ouvido ou tenha a diminuição da capacidade de abertura da boca.
Mordida aberta Na maioria das vezes, essas disfunções são detectadas por acaso. A funcionária pública Adriana da Silva Castilho, por exemplo, levou ao dentista o filho Fablio Vanso Castilho, 8 anos, para tratar de uma cárie e descobriu que o menino tinha problemas de ortopedia funcional do maxilar. ‘‘Além da mordida aberta, o dentista disse que ele sofria de adenóide. Levei o Fablio no otorrino e o diagnóstico foi confirmado. Agora, ele está fazendo tratamento para solucionar os dois problemas’’.
Adriana Castilho confirma que os resultados estão sendo muito positivos. ‘‘Depois de três meses usando aparelho, os dentes da frente voltaram à posição correta e o perfil dele mudou completamente’’. Fablio Castilho diz que o aparelho só incomodou nos primeiros dias. ‘‘Depois, eu me acostumei e agora até esqueço que ele está na minha boca. Na escola, os amigos me perguntam porque uso esses araminhos e eu respondo que é para corrigir meus dentes’’.
Para que o resultado do tratamento seja satisfatório, é fundamental a colaboração da criança. ‘‘Nesse ponto, eu tive sorte porque o Fablio só tira o aparelho na hora das refeições. Com certeza, foi devido a essa disciplina que os resultados foram tão rápidos’’, diz Adriana.

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