Quanto dói ter artrite
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quinta-feira, 25 de maio de 2006
Herika Fondazzi<br> Reportagem Local 
A artrite é uma doença que ataca mais de um milhão de pessoas só no Brasil, e cerca de 30% delas não conseguem melhora dos sintomas com os tratamentos disponíveis hoje. Para esses casos, surge no mercado uma nova alternativa, aprovada recentemente pelo FDA, órgão americano que controla o uso de alimentos e remédios. No Brasil, a substância rituximabe está em processo de liberação pela Anvisa e deve ser disponibilizada aos pacientes em cerca de dois meses.
O professor chefe de reumatologia da Universidade Federal do Paraná e ex-presidente da Sociedade Brasileira de Reumatologia, Sebastião Cézar Radominski, de Curitiba, explica à Folha da Sexta que o medicamento já existe no País para uso no tratamento de linfomas, tipo de câncer que ataca os gânglios. ''Em 1999 descobriram que a substância também apresentava bons resultados para artrite reumatóide. Um paciente acometido das duas doenças, que utilizou o rituximabe contra o linfoma, apresentou melhora também na artrite. Daí resolveram fazer estudos para comprovar essa capacidade do medicamento, que foi aprovado pelo FDA'', conta.
O remédio é uma terapia anticorpo monoclonal dirigida especificamente contra as células B do corpo. A medicina acredita que essas células tenham um papel chave no rápido desencadeamento inflamatório que caracteriza a artrite. A substância realiza uma quebra no início da inflamação da membrana sinovial (que envolve as articulações) e que conduzem à erosão da cartilagem e do osso.
Segundo Radominski, o rituximabe não é um milagre, mas é uma outra opção para aqueles pacientes que não respondem a outros tratamentos. ''Nenhum remédio é 100% garantido para todo mundo. Eles funcionam em algumas pessoas e não em outras. Mas é uma nova esperança, principalmente para os pacientes que têm as células B muito atingidas e as articulações bastante danificadas'', comenta.
O problema do rituximabe é o preço do tratamento, bastante elevado para os padrões brasileiros. Para um ano de terapia, o especialista afirma que é necessário um gasto de R$ 30 mil. ''São duas aplicações do medicamento, feitas com intervalo de 15 dias, que apresentam resultados em um ano. Se comparado com os tratamentos já existentes, conhecidos como anti-TNF (ver box) ele não é caro. Anualmente, o paciente gasta entre R$ 30 mil e R$ 40 mil. De todos eles, apenas um é fornecido pelo governo'', afirma.


