Todo relacionamento é um tiro no escuro porque é movido por sentimentos fortes como afeto, ciúme, possessão, amor e medo. Isso sem falar nas diferenças de opinião que podem ou não gerar conflitos na vida a dois. Não é à toa que definimos a história de ‘‘Cinderela’’ como um conto de fadas. Afinal, ninguém é perfeito.
Mas será que a vida a dois pode ser tornar ainda mais complicada quando entram em cena fatores como dinheiro e idade? Um parceiro muito mais rico que o outro ou muito mais velho pode ser a gota d’água para desencadear conflitos que numa situação de equivalência de idade e poder aquisitivo não aconteceria? Nas histórias de ficção – livros, novelas e filmes – esse assunto é um prato cheio: atualmente, na novela ‘‘O Clone’’ a personagem Mel (Débora Falabella), de família abastada, se apaixona pelo pé-de-chinelo Xande (Marcelo Novaes).
Mas a realidade também é pródiga nesse terreno: a apresentadora Ana Maria Braga se casou com seu ex-segurança e a princesa Stephanie de Mônaco se apaixonou por seu guarda-costas. No quesito idade também não faltam exemplos: temos Marília Gabriela, Suzana Vieira e Elba Ramalho – todas com mais de 45 anos de idade – casadas com homens muito mais jovens e bonitos.
Pelo visto, um amor e uma cabana podem, sim, dar certo. Uma pesquisa realizada pelo psicólogo Aílton Amélio da Silva, da Universidade de São Paulo (USP), mostrou que na hora de escolher um parceiro, homens e mulheres dão mais importância a sentimentos como amor e confiabilidade, educação, disposição de agradar e inteligência do que à conta bancária e à data de nascimento.
Para a psicóloga Maysa Dias Ayres, o segredo de um relacionamento bem-sucedido não está na conta bancária e nem na idade, mas em como as pessoas encaram a vida. ‘‘Se o casal tiver cabeça para deixar de lado o preconceito que essas diferenças podem gerar na família e na sociedade, o relação, com certeza, não será afetada. Segundo ela, não é preciso lançar mão do exemplo de pessoas famosas. ‘‘Hoje existem muitas mulheres comuns que ganham mais que o marido e sustentam a casa, o que poderia ser um fator desencadeador de conflitos, mas não 钒, acrescenta.
A psicóloga concorda que a diferença de idade, por ser mais visível, gera mais preconceito na sociedade, principalmente quando a mulher se apresenta com um homem bem mais novo. ‘‘Agora, tudo vai depender de como eles vão lidar com isso’’, avalia a psicóloga.
De acordo com Maysa Ayres, a diferença de idade é um complicador no sentido de ser mais visível e irreversível do que a diferença social. Para ela, no entanto, o grande desafio é viver a vida de forma natural, não valorizando aspectos que podem ser totalmente contornados quando existe amor, efetividade e respeito entre duas pessoas.
Ela considera normal que uma mulher madura e bem-sucedida procure em um homem mais jovem a vitalidade que ela, por algum motivo, necessite, enquanto que o jovem procure em uma mulher mais velha segurança e experiência, fatores que podem completá-los. ‘‘Não há nada de mal nisso’’, diz a psicóloga.


Para a psicóloga Maysa Dias Ayres o segredo de um relacionamento bem-sucedido não está na conta bancária e nem na idade, mas em como as pessoas encaram a vida. ‘‘São vários os aspectos que entram em jogo na busca do outro e, excluindo qualquer julgamento de valor, pode-se dizer que esses fatores estão diretamente relacionados com o grau de desenvolvimento emocional de cada um’’, diz a psicóloga. Segundo ela, não é preciso lançar mão de exemplo de pessoas famosas. ‘‘Muitas mulheres e homens comuns convivem com essas diferenças e são felizes’’, acrescenta.
De acordo com Maysa Ayres, a diferença de idade pode ser um complicador no sentido de ser mais visível e irreversível. Para ela, o grande desafio é viver a vida de forma natural, não valorizando aspectos que podem ser totalmente contornados quando existe amor e respeito entre duas pessoas e, principalmente, respeito à necessidade de crescimento de ambos os parceiros.
Quanto à probalidade das diferenças econômica e de idade gerarem conflito, segundo a psicóloga, vai depender muito do tipo de aliança que o desejo dos parceiros seja capaz de fazer. ‘‘Isso varia muito, independentemente da pressão social ou cultural. Pessoas que têm um razoável autoconhecimento e uma percepção realista da vida costumam fazer um bom uso dessas diferenças’’, afirma Maysa.
Entretanto, segundo a psicóloga, as pessoas de personalidade imatura, acabam fazendo ‘‘um bom uso’’ é das limitações e defeitos de ambos, fixando-se nos conflitos. ‘‘Com isso, contribuem para tornar as diferenças um grande problema’’, observa Maysa Ayres.

Sou casada com um homem 15 anos mais velho, o que não é uma diferença muito grande, mas acho que isso não tem nada a ver. Na minha opinião, todo relacionamento é complicado independentemente da idade ou classe social. Toda relação a dois envolve opiniões diferentes, sentimentos de posse, afeto e paixão que são mais problemáticos que idade ou poder aquisitivo de um dos parceiros. É claro que quando uma mulher entra em um lugar público com um homem bem mais jovem os olhares são inevitáveis, porém, acho que atualmente o preconceito é menos grosseiro que antes. Acredito que as pessoas pensem 'nossa, como ela é corajosa, ousada!'. É mais admiração que preconceito''. Regina Menezes, jornalista e artista plástica

'Eu acredito que a sociedade é mais preconceituosa com relação à diferença de classe social do que com a idade. Além disso, quando existe dinheiro envolvido, a pressão da família é bem maior. Porém, na minha opinião, tudo depende da cabeça das pessoas que estão envolvidas nesse relacionamento. Desde que elas tenham estrutura emocional para enfrentar possíveis pressões, o dinheiro e a idade são problemas menores e totalmente contornáveis''. Fernando Lopes, estudante

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