Quando os filhos alçam vôo
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Celso Mattos 
A Síndrome do Ninho Vazio causa mudanças radicais na vida das mães, mas pode ser um bom momento para rever a vida e colocar em prática antigos projetos
Quando os filhos são pequenos é comum as mães dizerem: Não vejo a hora de eles crescerem para que eu possa ter um pouco de tranquilidade. Doce engano. É justamente quando os filhos crescem e começam a sair de casa para estudar fora ou mesmo se casar, que a tão sonhada carta de alforria se mostra uma perigosa inimiga conhecida como a Síndrome do Ninho Vazio.
Para enfrentar essa fase inevitável da vida, as mães precisam construir sua relação com os filhos sobre bases bem sólidas, sabendo que eles não estarão sob suas asas para sempre. Caso contrário, é muito comum as mães entrarem em depressão, sentindo-se vitimizadas e abandonadas. Segundo a psicóloga clínica Nione Torres, a Síndrome do Ninho Vazio costuma desenhar uma nova realidade nas relações afetivas. Em muitos casos, apesar do distanciamento físico, mãe e filho passam a ter uma proximidade afetiva maior porque os conflitos da convivência diária deixam de existir, avalia.
Entretanto, essa síndrome não tem repercussões apenas na esfera materna ou paterna, mas também na vida do filho. A partir de então, ele terá que cortar o cordão umbilical e aprender a caminhar com as próprias pernas, o que promove um amadurecimento emocional. Os pais não estarão mais ao seu lado para resolver os problemas que a vida, inevitavelmente, se encarrega de colocar à prova.
Via de mão dupla Com a saída dos filhos de casa, a relação marido e mulher também passa por um processo de avaliação. A separação que há muito tempo vinha sendo protelada por causa dos filhos pode, finalmente, vir a ser efetivada. Isso é muito comum porque enquanto os filhos ainda estão em casa, os conflitos velados entre o casal vão sendo minimizados porque marido e mulher acabam transferindo para os filhos a ausência de amor entre eles. Entretanto, quando o casal fica sozinho a união pode se tornar insuportável, observa Nione Torres.
Ela reconhece que a Síndrome do Ninho Vazio é uma via de mão dupla: se a relação entre o casal não ia bem, ao ficarem sozinhos, marido e mulher podem redescobrir o prazer da vida a dois e buscarem um no outro a afetividade que antes era dividida com os filhos, tornando a união mais intensa e harmoniosa.
Novos projetos A psicóloga assegura que a depressão, geralmente causada pela síndrome, não é um mal que atinge apenas as mulheres que sempre foram donas de casa. Uma vida profissional intensa não garante imunidade total contra esse problema. Existem muitas mulheres que apesar de ter n atividades fora de casa sentem um agudo sentimento de perda quando os filhos alçam vôos para outras moradas.
Como se trata de um processo natural e inevitável, Nione Torres orienta que para evitar o vazio que pode levar a uma depressão, as mães devem aproveitar a partida dos filhos para colocar em prática projetos de vida que foram adiados, como viajar, voltar a estudar e, se haviam deixado de trabalhar, voltar à ativa, mesmo que seja como voluntárias. A vida e a felicidade não podem depender apenas da presença dos filhos adultos dentro de casa, alerta.
Segundo Nione Torres, a preparação psicológica é fundamental para aceitar que os filhos um dia vão escolher caminhos diferentes na vida profissional ou afetiva. Essa preparação deve começar ainda quando os filhos são pequenos, educando-os para o mundo e não para si mesma, tornando-os independentes e fortes para lidar com sua própria vida, orienta a psicóloga.


