Quando o presente tem pelo, anda e faz xixi
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sexta-feira, 14 de dezembro de 2012
Michelle Aligleri <br> Reportagem Local 
Com o final do ano chegando, muitas cartinhas são escritas ao Papai Noel e várias delas pedem cãezinhos ou gatinhos de presente. É fato que animais de estimação encantam adultos e crianças, mas também é importante lembrar que muitos fatores devem ser levados em consideração antes de presentear com um animal. Tempo de vida, custos e espaço adequado para o bicho são quesitos que precisam fazer parte da reflexão antes de tomar esta decisão.
O médico veterinário Rodrigo Reis considera complicado dar um animal de estimação como presente surpresa para uma pessoa, independentemente se for adulto ou criança. ''Todo filhote é fofo e bonitinho, mas eles crescem, precisam de atenção e mudam a rotina daquela pessoa. É preciso lembrar que aquele animal vai precisar de espaço e atividade física para gastar energia'', explica. Não adianta dar um animal de estimação para uma pessoa que não se dispõe a cuidar dele. Antes de adquirir um bicho, é importante que a pessoa se prepare e adeque a sua casa para receber o novo morador.
Para o veterinário, outro fator que precisa ser considerado é a época do ano, já que muitas famílias viajam nos meses de janeiro e fevereiro. ''Este é o primeiro problema que aparece. Não é recomendado que filhotes fiquem hospedados em hotéis ou clínicas porque nesta fase eles ainda não completaram o esquema de vacinação'', afirma. De acordo com Reis, expor o bichinho a um ambiente como este traz um risco grande de contaminação, pode resultar em sérios problemas à saúde e até na morte do animal.
Conforme Reis, dentro da família o animal escolhe uma pessoa que será adotada como dono, geralmente esta pessoa é aquela que o alimenta, passeia e é responsável pelos cuidados gerais. ''Às vezes, os pais compram um bicho para o filho sem que ele tenha maturidade para assumir os cuidados com este animal. Neste caso o cão ou gato se apega mais ao adulto, que é o provedor das necessidades'', declara.
Presente para crianças
Conforme a psicóloga Paula Cordeiro, o animal de estimação ajuda a criança a se desenvolver em vários aspectos, mas é preciso que os pais tenham bom senso antes de presentear o filho com um bicho. Ensinar a criança sobre os cuidados com o animal é o primeiro passo. ''Os pais não podem esperar que uma criança limpe, passeie e alimente o animal por conta própria. É preciso ensinar e ajudá-la a desenvolver esta responsabilidade'', afirma. Segundo ela, as pessoas tornam-se responsáveis com o tempo e, conforme a criança for amadurecendo, os pais podem dar a ela mais liberdade de cuidar do animal.
Paula lembra que os pais não devem exigir das crianças coisas que elas não sabem fazer e que a habilidade precisa ser adequada à idade. A psicóloga destaca que, de modo geral, uma criança de oito anos já tem coordenação motora e características maturacionais desenvolvidas para ajudar a família a cuidar do bicho, mas ela ainda não sabe o que é ser responsável e isso precisa ser ensinado.
A psicóloga lembra que um animal também favorece a interação entre as pessoas e salienta que o cachorro ou o gato estimulam a criança a entender e respeitar o outro porque tem suas limitações e não estará à disposição para brincar em todos os momentos. ''É um presente que precisa ser bem pensado, e pode interferir de maneira positiva ou negativa no desenvolvimento da criança, de acordo com os ensinamentos que os pais fizerem nesta fase'', afirma.
Para Paula, o mais importante é que o presente não se torne uma fonte de conflito. ''Não adianta comprar o bicho e depois reclamar para a criança do xixi pela casa e do pelo que o animal solta. O presente tem que vir para somar, mesmo que ele seja direcionado para a criança, a família precisa estar ciente de que todos são reponsáveis pelo animal.'' Uma ideia interessante é fazer uma escala de cuidados que inclui todos os moradores da casa, assim a família se divide e ajuda a criança a aprender sobre responsabilidade.



