Quando o lanche é o vilão
No intervalo das aulas, o sagrado horário do lanche período da manhã ou da tarde tão esperado por crianças e adolescentes é também um desafio para um grande número de pais. As cenas são muitas e conhecidas: lancheiras cheias de produtos industrializados; cantinas recheadas de guloseimas; frutas que retornam escuras e amassadas e vão direto para o lixo. Quando termina o ano letivo, junto com as notas finais, muitos alunos carregam quilos a mais para as férias.
De acordo com a nutricionista Patrícia Garcia Ferreira, cerca de 45% a 60% de estudantes londrinenses, com idade entre 6 e 13 anos, estão obesos. Segundo diz, a população em geral engordou nos últimos 10 anos, data que coincide com a chegada dos shoppings na cidade. Junto com eles, aportou por aqui a febre dos fast-food. O fenômeno é nacional. A tal ponto que num período de cinco anos, brasileiros estarão tão gordos quanto os americanos. Nos Estados Unidos, a obesidade assumiu caráter epidêmico, atingindo cerca de 80% da população.
Patrícia observa que hoje um dos grandes vilões do excesso de peso é exatamente o lanche feito na escola. Crianças e adolescentes em geral não aceitam mais levar o lanche de casa. Frutas e outras opções mais naturais ficam só na intenção de uma legião de mães. A fome é saciada rapidamente no balcão da cantina da escola: frituras, salgadinhos empacotados e refrigerantes são alguns dos itens desse cardápio engordativo.
Patrícia entende que pais devem contatar a direção das escolas no sentido de elas ofertarem opções mais saudáveis, como lanches e sucos naturais, ricas fontes de vitaminas, minerais e fibras. Pais devem entrar em guerra com a escola pela melhoria do lanche oferecido.
Hábitos saudáveis A nutricionista Rita de Cássia Donangelo Sambatti enfatiza que a batalha por uma dieta equilibrada e saudável deve ser travada também em casa. Família e escola precisam atuar em conjunto para a formação de hábitos alimentares saudáveis, um aprendizado que deve começar ainda na idade pré-escolar. Se na faixa etária de 2 a 6 anos a criança não formou hábitos alimentares saudáveis, na adolescência será ainda mais difícil corrigir uma dieta deficiente.
Na grande maioria são as gordurinhas aparentes que mais incomodam. Além dos problemas estéticos, a obesidade infantil, contudo, provoca danos de postura e pode causar traumas ortopédicos. Hipertensão, diabetes e problemas cardíacos também estão no rol de males que podem atingir os muito gordinhos.
Engana-se também quem acredita que taxa de colesterol faz parte apenas do glossário de pacientes bem mais crescidos. Patrícia revela que há casos de crianças de oito anos com o colesterol acima de 250 miligramas por decilitro, quando o limite para esta faixa etária é de 120 a 180 mg/dl. Este será um paciente que deverá se cuidar o resto da vida.
Líquidos As nutricionistas alertam para uma série de hábitos que podem auxiliar pais e filhos na aquisição de uma dieta mais saudável. Entre eles, destacam: fazer no mínimo quatro refeições diárias (seis refeições é o número mais indicado); ter uma regularidade de horários para se alimentar; melhorar a qualidade dos alimentos oferecidos.
Atenção também deve ser dada para a ingestão de líquidos. Pela facilidade e o apelo da mídia, crianças e adolescentes vêm substituindo a água por refrigerantes, o que está longe de ser uma boa opção. A ingestão indiscriminada de bebidas isotônicas também é contra-indicada, a não ser que a criança esteja desenvolvendo atividade física intensa e ocorra desidratação. Pelo teor de acidez, essa bebida vem provocando a descamação da resina dentária.





