Quando o inverno chegar
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 19 de abril de 2007
Karla Matida<br>Reportagem Local 
Com a proximidade cada vez maior das baixas temperaturas, saem de cena os abdômens esculpidos (mesmo que sejam só na telona do cinema) e entram os cachecóis, agasalhos e afins. No mundo real, o tempo de mostrar o tanquinho vai ficando para trás. O que é bom também. Principalmente porque o inverno é sempre promessa de homens ainda mais elegantes. Não falam isso das mulheres - que elas ficam mais chiques com roupas invernais?
Pois com o guarda-roupa masculino dá para ser assim também. A moda para eles anda cada vez mais valorizada e bem trabalhada. E eles, não deixam por menos. Com uma frequência cada vez maior, os homens se entregam às novidades. Camisetas cheias de brilho e calças de modelagem mais ajustada já fazem parte do dia-a-dia.
Claro que ainda falta muito para uma adesão em massa a tudo o que os estilistas mostram em seus desfiles. Na última temporada, as grandes apostas também foram direcionadas para o preto e o acinzentado. Mas nada de sobriedade extrema. Até porque a passarela masculina do Inverno 2007 foi das mais divertidas. É só lembrar dos irresistíveis homens do gelo de Alexandre Herchcovitch, os guardiões da Amazônia da Osklen, os faunos de Mario Queiroz e os chineses de Ronaldo Fraga. Os estilistas Rogério Hideki e Vitor Santos se despediram da VRom, o que transformou o desfile em um momento ainda mais emocionante. E no Rio de Janeiro, os garotos de praia da Reserva também são sempre uma brisa fashion agradável.
Infelizmente, as semanas de desfile tiveram duas baixas importantes. Ricardo Almeida e Maxime Perelmuter deixaram de apresentar suas coleções na São Paulo Fashion Week. Fause Haten, que fazia apresentações diferentes para as linhas masculina e feminina, preferiu só mostrar as suas criações para mulheres nesta última edição. Grandes grifes como Forum, Triton e Iódice também já deixaram de apresentar o masculino.
Estratégias à parte, a moda masculina brasileira ainda não chegou ao patamar de ter eventos exclusivos como acontece nas grandes capitais fashion como Paris. Mas se os brasileiros estão cada vez mais preocupados com o guarda-roupa, é só uma questão de tempo.
Já sabendo que 2007 promete ser um ano quente, os estilistas daqui apostam em peças mais leves e surpreenderam colocando muitas bermudas na passarela. Coletes são resgatados do baú do vovô e retornam repaginados. Os metalizados e as bolsas já não são mais privilégios das mulheres. Com muita atitude, eles não só usam como ainda fazem bonito.


