Quando o homem fica grávido
"Tudo começa centenas de anos atrás, com a domesticação das codornas, ou milhares de anos atrás, com a presumida domesticação dos bebês. Seguindo essa tradição, Lucia, que pertence ao segundo grupo, comeu ontem pela primeira vez um ovinho de codorna. Meia hora depois, sentei a pequena na cadeirinha para ela acompanhar o jantar da irmã e se sentir participante. Aproveitei e dei um ovinho na mão dela, que o devorou como uma selvagem. Achei que ia engasgar e que seria necessário chamar a Roto-Rooter para desentupi-la, mas o bebê tem que aprender a comer né? Ela mesma deu um jeito, cuspindo um pedaço no chão, que se juntou aos outros que caíram esfarelados. Como boa parte caiu, dei mais um, é a coisa mais linda ver essa menina comendo com as mãozinhas, parece uma lontra. Aí Dona Mamãe chegou do trabalho e aproveitei para limpar a sujeira de ovos no chão. Sem ter a importante e necessária sujeira como indicador, Mamãe tem a mesma idéia genial, de modo que a lontrinha come mais três ovinhos. Chega a hora de dormir, zureta de sono, toma meia mamadeira e capota no berço tal qual um mendigo bêbado."
Texto extraído do "Diário de um Grávido" (Editora Mescla, 112 pág.), do jornalista e escritor Renato Kaufmann, inspirado no próprio blog (www.diariogravido.blogspot.com). Ele descreve de maneira leve e engraçada o dia a dia com a filha, Lucia, expondo todas as dúvidas de pai de primeira viagem.
Esse cotidiano de Kaufmann sustenta estudos que foram realizados em 2000, pelo instituto de pesquisa americano Harris: os homens estão mais comprometidos e participativos na vida dos pequenos. Dados revelam que 70% deles são capazes até de abdicar, facilmente, de um salário mais alto em troca de mais tempo com os filhos, entre as mulheres essa resposta foi dada por 63%.





