Quando o futuro bate à porta
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quinta-feira, 30 de abril de 1998
Celso Mattos 
Milton DóriaDevido à imaturidade, é importante um trabalho de preparação, afirma a psicóloga Neide Zucoli de OliveiraTodos os anos, milhares de adolescentes precisam se preparar psicologicamente para a maratona do vestibular. A cada concurso a concorrência fica mais acirrada e a disputa por uma vaga na universidade vira uma questão de honra. É uma guerra de quatro dias, com um exército jovem demais para tanta responsabilidade. Mas antes de se preparar para essa batalha, o adolescente precisa vencer outro desafio: escolher uma profissão que vai definir seu futuro.
A imaturidade, aliada à importância das decisões, exige um trabalho de preparação. Os jovens precisam ser orientados quanto à escolha do curso e também como administrar a ansiedade pré-vestibular, afirma a psicóloga Neide Zucoli de Oliveira, que, junto com a colega de profissão, Norma Camargo Maia Mignoni, está desenvolvendo o curso SOS Vestibulando. Elas trabalham com grupos de 20 adolescentes que estão se preparando para o concurso. Não é um curso específico para quem vai prestar vestibular em julho, mas para qualquer jovem que esteja cursando o 2º grau, informa a psicóloga.
Segundo Neide Zucoli, o trabalho consiste em ajudar o futuro vestibulando quanto à sua vocação profissional e também a desenvolver técnicas para controlar a tensão. Atualmente, os jovens estão entrando na universidade cada vez mais cedo. Isso dificulta a definição da profissão. Muitos acabam escolhendo o curso que está na moda e, depois, descobrem que não era aquilo que desejavam, argumenta a psicóloga, ressaltando que isso deve ser uma preocupação social. Se o estudante faz um curso que não gosta, ele, com certeza, será um mau profissional.
Arquivo/FLA cobrança da família e da sociedade é um fardo muito pesado para o vestibulando
Habilidades Para despertar no adolescente a sua real vocação, as psicólogas fazem exercícios que exploram habilidades, áreas de interesse e aptidões de cada um. Existem muitos jovens que chegam no consultório em dúvida - não sabem se fazem Medicina, Direito ou Arquitetura. Ou seja, três cursos de áreas completamente diferentes. Eles são muito influenciados pelos pais, amigos e pela mídia, afirma Neide Zucoli. A psicóloga explica que o fato de uma pessoa ter dificuldade em biologia, por exemplo, não significa que ela não possa fazer Medicina. No entanto, ela deve estar consciente de que precisará superar mais obstáculos para realizar seu sonho.
Na opinião da psicóloga, existe uma cobrança muito grande da família e da sociedade para que o jovem passe no primeiro vestibular. Os pais se orgulham ao dizer que o filho entrou na universidade com 17 anos. No entanto, é preferível o jovem demorar mais para entrar na universidade do que escolher equivocadamente o curso. Esse equívoco pode significar uma perda de tempo muito maior. Ele acaba desistindo do curso e mudando para outro, atrasando sua formação profissional e acarretando mais custos para a família e para a sociedade, alerta.


