Uma batalha travada contra si mesmo. É o que o lúpus faz com o corpo humano, ‘‘confundindo’’ seu sistema imunológico e levando-o a atacar suas próprias células. A enfermidade, que atinge principalmente mulheres e pode apresentar-se sob três formas (cutâneo, sistêmico e induzido por drogas), causa desde inflamações na pele até lesões nos órgãos.
‘‘Infelizmente, ainda não há uma causa definida da doença. Pode existir uma tendência genética e a influência do hormônio feminino (estrógeno), mas as causas variam muito de pessoa para pessoa’’, explica a médica Emília Satto, professora de reumatologia da Escola Paulista de Medicina. E, se ainda não é possível definir as causas, tampouco se pode diagnosticar a doença sem que seus efeitos tenham surgido. ‘‘Não dá para prever’’, ressalta Emília.
Tipos e sintomas O lúpus se caracteriza não por um, mas pela reunião de vários sintomas, que aparecem na pele ou no sangue e em órgãos como o pulmão e o coração, dependendo do tipo da enfermidade. O lúpus cutâneo ou discóide é a manifestação mais superficial da doença, e causa inflamação no rosto, nuca e couro cabeludo. São comuns as lesões do rosto adquirirem um formato de borboleta, incidindo sobre o nariz e as bochechas.
Dez por cento das pessoas que têm inflamações cutâneas portam também o tipo sistêmico, mais grave. ‘‘Mas nem sempre quem sofre de lúpus sistêmico tem lesões na pele’’, adverte a reumatologista. Vale, portanto, prestar atenção nos sintomas da doença (veja boxe).
O lúpus sistêmico, a forma mais grave da doença, pode chegar a afetar quase todos os órgãos e tecidos do corpo, como juntas, sangue, rins e pulmões. É fundamental fazer um acompanhamento médico para que, durante as crises da doença, haja um controle dos seus efeitos.
A manifestação da doença induzida por drogas tem sintomas semelhantes à forma sistêmica, e pode aparecer quando se administram remédios para combater a pressão alta e a irregularidade dos batimentos cardíacos. Poucas pessoas desenvolvem de fato a doença – a maioria vê os sintomas desaparecerem quando param de utilizar o medicamento.
A médica salienta que essa é uma doença crônica incurável, mas que pode ser controlada, evitando que atinja órgãos nobres. As orientações médicas, em geral, vão desde evitar o banho de sol e substâncias à base de estrógeno até a administração de antiinflamatórios e, em casos mais graves, de cortisona. ‘‘É importante o doente estar consciente de que não há cura, mas há controle’’, frisa a médica.
Sites ajudam a entender a doença Para quem quiser saber mais sobre o lúpus, há dois sites na Internet que, em português, dão informações claras e detalhadas sobre a doença. O Lúpus OnLine (www.lupusonline.com.br) traz novidades sobre pesquisas no setor, artigos e, no link ‘‘curiosidades’’, associa a doença a temas do dia-a-dia, como o fumo, excesso de peso, stress e sono. Periodicamente, o site faz pesquisas para conhecer melhor o doente de lúpus no Brasil.
Já o Lúpus Brasil (www.geocities.com/TheTropics/6230) traz novidades, glossário e tem um eficiente sistema de busca interno, além de uma sala de bate-papo em que doentes e familiares trocam informações sobre o assunto. Recebeu o prêmio Healthlinks que premia os melhores sites de saúde da Internet.

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