Quando o corpo fala
Em uma sala colorida, repleta de bolas, bambolês e tecidos, crianças brincam sem pronunciar palavras. Apesar de não existir comunicação verbal durante as atividades, é permitido expressar nesse espaço sem censuras as emoções e os sentimentos genuínos por meio de linguagem corporal e jogos lúdicos, auxiliando a criança a perceber a si mesma e a forma como interage diante de um grupo. ''É um lugar de legitimação de anseios e conflitos, onde elas poderão se mostrar como realmente são e, o que é melhor, evoluir brincando'', explica a psicomotricista Sonia Sampaio.
O método da Psicomotricidade Relacional foi criado na França pelo educador André Lapierre e a psicanalista Anne Lapierre, há mais de 40 anos. A prática tem caráter preventivo e terapêutico, e pode ser vivida por crianças, adolescentes e adultos. No entanto, o trabalho realizado por Sonia é direcionado somente ao público infantil. Segundo ela, os grupos são formados por no máximo dez crianças, com idades que variam de três a oito anos, de ambos os sexos e reunidos na mesma turma.
A cada semana, essas crianças se reúnem durante uma hora para expressar seus talentos e bloqueios, aprendendo a superar quadros que trazem prejuízo ao relacionamento interpessoal como inibição, agressividade, falta de limites, baixa tolerância à frustração, além de dificuldades de aprendizagem. No entanto, crianças que não apresentam esse perfil também podem participar das atividades.
Dentro da sala, a psicomotricista 'entra' nas brincadeiras, mas não chega a interferir na escolha das atividades, apenas define os materiais. ''O que elas propõem é o que vai acontecer'', relata Sonia. O tempo de trabalho para cada uma varia e não pode ser pré-determinado. A recomendação da profissional é uma permanência de pelo menos seis meses.
A dinâmica das reuniões acontece da seguinte forma: na primeira sessão, a psicomotricista conversa com o grupo e explica o que acontecerá durante os encontros. Nessa fase, a criança ficará ciente das regras de participação, tais como evitar falar, não danificar a sala e não machucar os colegas.
''Elas compreendem rapidamente a diferenciar esse lugar dos outros, como a escola. Entendem que estão em um local seguro para mostrar quem realmente são. A menina quietinha, por exemplo, não precisa ser a boazinha o tempo todo, e a criança agressiva vai poder canalizar a energia para algo mais produtivo''.
Ao longo dos encontros os pais poderão acompanhar a evolução do filho por meio dos vídeos que são gravados durante as sessões e que depois ficam arquivados, garantindo a privacidade da criança.
Sonia ressalta que a Psicomotricidade Relacional está em sintonia com os ideais do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). O método pode ser levado a escolas, creches e clínicas. (Telefone 43 - 3329-0131).





