Quando o assunto é...sexo
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sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
Paula Costa Bonini <br> Reportagem Local 
''Mãe, como acontece o sexo?''. A pergunta foi feita de forma espontânea há algum tempo por Júlia, hoje com dez anos. Surpresos, os familiares que estavam por perto se entreolharam e não souberam como agir, mas a mãe, a pedagoga Josiane Tescaro Novi dos Santos, respondeu com naturalidade. ''O sexo foi criado por Deus para que as famílias sejam formadas. É algo lindo quando acontece no momento certo'', disse, aprofundando-se um pouco mais e explicando sobre o ato, que culmina com a liberação do espermatozóide, podendo gerar uma nova vida. A menina ouviu tudo com atenção.
Toda criança, mais cedo ou mais tarde, surpreende os pais com perguntas como a de Júlia. Os questionamentos surgem principalmente a partir dos dois anos de idade, quando as diferenças começam a ser percebidas. As dúvidas normalmente causam constrangimento, pois a maioria dos adultos não sabe como conversar sobre o tema.
Há famílias, no entanto, que tentam tratar o assunto com naturalidade. É o caso de Josiane e o marido, o administrador de empresas Gustavo Novi. O casal procura responder as dúvidas das filhas Júlia, 10, e Laura, 5, com tranquilidade. O pai admite, porém, que nem sempre é fácil. ''As poucas perguntas que foram feitas diretamente para mim me deixaram 'sem graça', mas não quero que o sexo seja um tabu na minha casa. Converso com a minha esposa para que possamos orientá-las da melhor forma'', afirma. Já a mãe tem mais facilidade para lidar com a questão. ''Quando surgem perguntas mostro-me pronta para responder e tento não passar insegurança. Acho essa atitude importante, pois evita a busca de informações fora de casa, onde os princípios pregados são diferentes dos nossos'', destaca Josiane.
A filha mais nova, Laura, ainda não fez tantas perguntas, mas Júlia já quis saber como os bebês são gerados, o que é camisinha, sexo, entre outras dúvidas. ''Quando ela perguntou sobre camisinha respondi levando para o lado da prevenção. Disse que da mesma forma que usamos um agasalho para não pegar gripe, a camisinha é usada para não contrair algumas doenças transmitidas pelo sexo'', conta a mãe, ressaltando que não estendeu muito o assunto, mas percebeu que a explicação foi suficiente para o momento.
Para Josiane, é sempre importante compreender o que exatamente a criança quer saber para que a resposta seja satisfatória. Por isso, quando as perguntas surgem, ela questiona sutilmente onde a filha ouviu aquilo e constata qual é a dúvida. ''Dessa forma, consigo responder de maneira mais clara e objetiva'', pontua.
Segundo o pediatra e neonatologista Marcelo Reibscheid, de São Paulo, os pais podem até questionar o porque a criança está perguntando aquilo, mas devem tomar cuidado para que ela não se sinta desrespeitada ou fique 'sem graça'. Caso isso aconteça, pode perder a liberdade de conversar sobre o tema em casa, o que é prejudicial.
Reibscheid destaca que os pais devem responder exatamente o que foi perguntado. ''Os filhos têm que confiar nos pais e tê-los como porto seguro. Para criar esse vínculo, é preciso responder aos questionamentos com disposição, não demonstrando nervosismo ou indignação'', salienta.
Caso o adulto realmente não se sinta preparado para responder determinada pergunta, é importante ser franco com a criança dizendo que naquele momento não sabe como responder, mas que vai pensar na melhor forma de sanar a dúvida. Mas é fundamental retomar a questão e não deixar a criança sem resposta. A orientação é da pedagoga especialista em Psicologia Aplicada à Educação, Juliana Lopes Garcia, de Londrina.
Para Reibscheid, essas conversas devem acontecer aos poucos. ''O pai não deve chegar para o filho com dez, doze anos de idade e perguntar se ele sabe o que é camisinha se nunca falaram sobre sexo antes. A abertura deve acontecer gradativamente'', destaca, acrescentando que não cabe ao adulto iniciar este assunto. É importante apenas estar preparado e disposto para responder as dúvidas que vão surgindo aos poucos.
Fazer leituras sobre o assunto e trocar ideias com profissionais especializados e outros pais é sempre válido, pois as perguntas superficiais tornam-se complexas com o passar do tempo. ''As crianças vão conhecendo mais as coisas, tendo mais dúvidas e curiosidades'', ressalta o pediatra. E as respostas, de acordo com ele, devem acompanhar o grau de complexidade das perguntas.
Os livros podem ser grandes aliados. ''Há títulos ótimos destinados ao público infantil, que podem ajudar principalmente com as crianças menores que compreendem melhor aquilo que visualizam. Os materiais são válidos, mas é importante que os pais vejam os livros junto com a criança'', salienta a especialista Juliana Lopes Garcia, ressaltando que existem títulos destinados para os pais que dão dicas sobre como falar com os filhos sobre sexo.


