São Paulo Sexo verbal não faz seu estilo? Então pense melhor. Homens com dificuldades sexuais podem levar até cinco anos para procurar ajuda médica, segundo uma pesquisa realizada em sete países da América e da Europa. Muitos são casados ou mantêm relações estáveis. Para os especialistas, isso acontece por falta de diálogo. Com a parceira e o médico. A Bayer (fabricante do Levitra), responsável pela pesquisa, juntou-se ao Projeto Sexualidade da USP (ProSex) para lançar no Brasil uma campanha de R$ 2,5 milhões para incentivar os casais a conversarem sobre sua vida sexual.
A campanha ''Abra o Jogo, Converse'' vai percorrer o País, entregando panfletos e realizando palestras em praças, praias e outros locais públicos, como explica a psiquiatra Carmita Abdo, coordenadora do ProSex (11.3069-6982). O material didático também será distribuído em postos de saúde e consultórios (uma boa pedida para quem já está cansado das revistas de fofoca). ''Cerca de 93% dos médicos afirmam sentir-se confortáveis para conversar sobre sexo com seus pacientes, mas apenas 16% deles tomam a iniciativa'', afirma o sexólogo inglês John Dean, que acompanhou a pesquisa. Para ele, os médicos deviam se preocupar mais com o assunto.
''A impotência sexual pode ser um dos sintomas de doenças como a diabete e a depressão.'' Ele afirma ainda que, à medida que a frequência das relações diminui, cresce a distância emocional entre os parceiros. Mais da metade dos 1,2 mil entrevistados admitiram ter problemas de ereção, 52% (somando-se os que tinham disfunções leves, moderadas e totais). Oficialmente, os vários níveis da impotência sexual atingem hoje 150 milhões de homens no mundo e são as queixas mais frequentes nos consultórios, apesar de só 20% dos afetados procurarem tratamento.
Para os médicos, isso tem a ver com o fato de dois terços dos casais que lidam com a disfunção erétil não conversarem sobre o assunto por constrangimento. ''Eles se sentem fragilizados na sua masculinidade e elas temem deixá-los mais abalados'', analisa Carmita.
O psiquiatra Jairo Bouer, apresentador de programas sobre sexualidade no rádio e na tevê, afirma que o ideal é o casal conversar sobre sexo desde o início do relacionamento. ''Assim, quando surge um problema, fica tudo mais fácil.'' Mas e se o casal nunca conversou sobre o assunto? ''Uma dica é usar fatos do cotidiano como 'gancho' uma cena de novela, por exemplo.''
O cinema também pode ser um bom pretexto. Caso do filme ''Kinsey Vamos Falar de Sexo'', que, além do título sugestivo, conta a história do pesquisador Alfred Kinsey, um dos pioneiros nos estudos científicos sobre sexualidade humana. O próprio cientista vivenciou dificuldades sexuais anos antes de iniciar suas pesquisas: casou-se virgem com uma jovem igualmente inexperiente. Ela tinha um hímen resistente que inviabilizava a penetração. Eles conversaram, foram ao médico e resolveram o problema. A mulher contou aos biógrafos do marido que eles fizeram sexo 21 vezes naquela semana.

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