Que mulher nunca comprou por impulso mesmo sem precisar do produto? ''Está muito barato''. ''Não posso perder esse lançamento''. ''Tem exatamente o meu tamanho e as cores que eu gosto''. Argumentos não faltam para ceder aos apelos capitalistas. Todo mundo, de vez em quando, compra algo sem necessidade. O problema surge, porém, quando o comportamento passa a ser frequente e não eventual, contabilizando prejuízos financeiros, pessoais e de relacionamento.
Segundo a psicóloga clínica Lívia Vasconcelos, a compulsão por compras se caracteriza por uma pressão interna que faz com que a pessoa se sinta tomada por um desejo muito forte de realizar a ação. ''No início, a sensação é de prazer, mas depois vem um sentimento de culpa, um mal-estar'', explica.
Ela destaca, no entanto, que agir impulsivamente faz parte da natureza humana e nem sempre se caracteriza um problema. É o caso da pedagoga Renata Suzue Ogata. Apaixonada por maquiagem, admite que muitas vezes se deixa levar pelo impulso e compra produtos sem precisar. ''Mas nunca cheguei a me endividar e nem precisei buscar ajuda profissional para aprender a me controlar. Compro sim, mas com certa moderação'', diz.
Renata conta que já melhorou bastante e que hoje consegue se conter em determinadas situações. ''Antes era pior. Um dia coloquei todas as minhas sombras em cima da cama e percebi que estava exagerando, que nunca conseguiria usar tudo. A partir daí, comecei a comprar menos'', lembra.
Claro que, assim como muitas mulheres, ainda cede às tentações. ''Estou sempre atenta às novidades e quando vejo algo novo, uma cor diferente de batom, por exemplo, acabo comprando'', afirma, destacando que adquire muitos produtos através da internet. ''Dessa forma adquiro marcas importadas por preços mais acessíveis'', justifica.
Ela conta que muitas vezes volta para casa com sacolas sem ter saído com o objetivo de fazer compras. ''É difícil comprar apenas um item. Adquiro dois, três produtos de uma vez'', destaca, acrescentando que ao comprar novos produtos sente uma grande alegria e satisfação. ''Sinto-me como uma criança ganhando um presente muito desejado'', define.

Patologia
Para a psicóloga clínica Lívia Vasconcelos, a pessoa passa dos limites quando cede sempre aos apelos. ''Principalmente se estiver dominada por sentimentos negativos, baixa autoestima e dificuldade de relacionamento'', pontua.
Em geral, comprar de maneira compulsiva é um comportamento que acomete mulheres. ''Muitas vão ao shopping e começam a comprar sem controle. Às vezes, saem de casa pensando em adquirir determinado produto, mas entram nas lojas e não resistem ao apelo e compram muitas outras coisas'', pontua.
A pscicóloga ressalta que não é possível definir com facilidade o perfil de quem compra compulsivamente. ''Podemos apontar características que vulnerabilizam algumas pessoas. Mas, de forma geral, toda a sociedade precisa aprender que existem formas mais diretas e eficazes para compensar as angústias sem passar pela via do consumo'', considera.
Comprar exageradamente em um primeiro momento pode parecer inofensivo.
Mas se a família não estiver atenta e a pessoa não tomar alguns cuidados, o comportamento pode se transformar em doença. A oniomania, mania de comprar, é dos transtornos do impulso, já reconhecido pela Sociedade Brasileira de Psiquiatria.

Imagem ilustrativa da imagem Quando comprar vira um transtorno
Apaixonada por maquiagem, a pedagoga Renata Ogata diz que muitas vezes se deixa levar pelo impulso: ‘‘Mas nunca cheguei a me endividar e nem precisei buscar ajuda profissional para aprender a me controlar’’



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