Quando as brincadeiras têm limites
Na fantasia de Maurício, 7 anos, ele já teve um namoro (aos 3 anos) e um casamento (aos 4 anos). As separações aconteceram por traição da parte das duas meninas com as quais se julgava comprometido. Hoje, Maurício diz que não pensa mais em namoro. E afirma categórico: Casamento nunca mais. Por quê? Porque fui traído duas vezes. A traição a que Maurício se refere é que a namoradinha, e depois a esposa, resolveram brincar com outros amiguinhos. E ele não admitia isso. Elas, na verdade, deveriam brincar apenas com ele. Para Maurício, no caso do casamento, realizado por seu irmão mais velho, a situação foi ainda mais séria. Por isso, chega. A mãe de Maurício, Maria Cecília, 35 anos, técnica administrativa, no começo achava até graça do jeito do menino se referir às amiguinhas, agora, no entanto, acha que a brincadeira foi longe demais, porque ele acredita na fantasia que criou.
Para a psicóloga Maria Rita Soares Azevedo, a situação de Maurício não é incomum, mostra uma criança que está vivenciando conceitos de pessoas adultas. Deve ter havido incentivo por parte de adultos ou mesmo de coisas que ele viu na televisão ou com outras pessoas, porque os conceitos que ele está reproduzindo são de adultos. Aqui o importante é que os pais discutam a questão com ele, desmitificando-a. Mostrem para ele que não houve namoro coisa nenhuma e que as garotas eram apenas amiguinhas. O mesmo deve ser dito a respeito do casamento. É preciso lembrá-lo que quem casa são os adultos, que casam na frente de um padre, de um juiz. Enfim, é necessário esclarecer essa criança, de forma clara e objetiva, ressalta.
Mais uma vez Maria Rita frisa que em situações como essa, não é necessário pânico por parte dos pais, apenas um pouco de bom senso para esclarecer os filhos. E aqui vale questionar também até que ponto não estão despejando expectativas suas nas crianças. Principalmente em relação aos meninos existe uma ansiedade muito grande de que eles se iniciem sexualmente mais cedo, que mostrem que são homens, etc. E às vezes alguns pais, com os filhos ainda pequenos, começam conversas do tipo olha aquele mulherão, olha que menina bonita e por aí vai. Aqui, é preciso estar atento para que esses pais não atropelem as coisas em função de sua própria ansiedade, reforça a psicóloga.





