Quando a cozinha é só deles
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quinta-feira, 14 de agosto de 2003
Karla Matida<br>Reportagem Local 
''Meu Deus! Agora sou eu que vou ter que cozinhar...O que é que eu vou fazer???'' É assim que começa o livro dos jornalistas Osmar Chor e Rafael Casé, ''De Homem para Homem Guia de sobrevivência para solteiros e descasados na cozinha'' (Editora Vozes). A obra não é um lançamento, mas como tem cada vez mais homens morando sozinhos, acaba virando um item de primeira necessidade, tal e qual o fogão e a geladeira.
Nas quase 150 páginas, os autores oferecem dicas que vão desde a montagem da cozinha até um glossário com termos clássicos da culinária. Mas como a dupla garante que não é machista e recomenda os livro para mulheres também, o capítulo 'salvador da pátria' tem nome sugestivo: ''Conselhos da Vovó''. São toques interessantes para salvar pratos como um arroz que ficou sem sal, ou descascar cebolas sem cheiro.
Logo na apresentação, Chor e Casé avisam que ''cozinha 'era' lugar de mulher...De uns tempos pra cá, o homem está cada vez mais íntimo dessa parte da casa''. ''Até por causa de todo o preconceito e da educação que recebemos, a maioria de nós, durante boa parte da vida, só entrou na cozinha pra pegar água ou uma cervejinha gelada, não é mesmo?'', questionam.
Não é o caso do médico Edmilson Ishii que, mesmo com uma rotina recheada de plantões de longas horas, vai para o fogão e sempre conquista elogios com seus quitutes. Morando longe da casa dos pais desde a época da faculdade, Ishii veio de São Paulo para Londrina sabendo cozinhar o básico arroz, feijão e macarrão. Como não gostava de macarrão instantâneo (um clássico nas repúblicas universitárias), resolveu aprender outros pratos.
O que antes era pura sobrevivência, agora se transformou em hobby. ''É uma forma de relaxar'', explica o médico, que gosta de cozinhar para os amigos e a namorada. Entre as suas especialidades, estão a paella, o churrasco e os risotos, receitas que Ishii foi aprendendo na prática. ''Não dá vontade de cozinhar só para mim'', diz.
Quem concorda é o colega de profissão José Grion Neto. Segundo ele, ''as coisas acabam estragando na geladeira'', conta o médico, que reclama que as porções à venda são grandes demais para quem mora sozinho. Quando se mudou para Londrina, cerca de seis meses atrás, o médico foi ao supermercado e comprou arroz, carne, entre outras guloseimas. O pacote de arroz está intacto até hoje.
Ao invés do fogão, Neto prefere a churrasqueira elétrica. ''Uso o forno só para esquentar sanduíches ou a pizza da véspera'', diz. ''O jeito é sempre aceitar os convites que recebo para almoço e jantar'', brinca o médico, que até sabe cozinhar. ''Faço macarrão, estrogonofe e junto tudo'', ensina. n


