Com a acelerada rotina das famílias, a escola ganha um papel ainda mais importante na vida das crianças, que começam cedo a freqüentar este ambiente social, onde passarão boa parte de suas vidas. Por isso, a escolha da primeira ou de uma nova escola gera tantas dúvidas entre os pais ou responsáveis.
Especialistas em educação apontam que antes de fazer listas com as possíveis instituições preferidas, é bom olhar para dentro de casa. Observar o perfil dos filhos é fundamental nesse momento, e isso significa ver qual é o temperamento da criança, afinidades e limitações, sem fazer julgamentos. A criança é do tipo extrovertida ou introvertida? É criativa ou se sente mais à vontade em ambientes previsíveis?
Outro ponto essencial é fazer uma avaliação dos anseios dos pais em relação ao futuro dos filhos. A prioridade é passar nos vestibulares mais concorridos, ou a formação deve estar focada para a criatividade e o senso crítico? Valores religiosos são fundamentais na educação ou o objetivo é ver seu filho crescer em uma escola bilíngüe?
Além dessas questões e outras mais práticas, como valor de mensalidade, distância, infra-estrutura e segurança, os pais precisam pensar a respeito da linha pedagógica adotada pela escola. De acordo com revistas especializadas em educação, os projetos pedagógicos dividem-se em quatro direções: a tradicional, que segue princípios do construtivismo, a montessoriana e a Waldorf. Na opinião da psicopedagoga Adriana Lot Dias, muitas escolas hoje mesclam métodos pedagógicos, adaptando as teorias a cada realidade e objetivos. Por isso, aliar o projeto pedagógico à personalidade da criança e aos anseios da família é um bom caminho para ajudar a criança a se adaptar melhor à vida escolar.

Pedagogia afetiva e tradição
De acordo com Daiana Ribeiro Silva de Souza, da coordenação da educação infantil e ensino fundamental 1 do Colégio Maxi, o ato de aprender está ligado aos aspectos afetivos da criança, e vai além das questões cognitivas. "O que a criança traz de bagagem emocional é levado em conta, por isso a relação segura entre professor e aluno é importante. Se a criança está feliz, consegue se concentrar mais, a mente fica aberta, assim ela aprende", explica.
A partir de uma linha baseada na pedagogia afetiva, que é adaptada a cada fase do aluno, até a preparação para o vestibular no Ensino Médio, a instituição segue uma proposta de ensino tradicional. A alfabetização, por exemplo, é conduzida por meio do método fônico (o mais clássico), os alunos utilizam apostilas, e o grau de dificuldade vai se intensificando de acordo com o conhecimento adquirido ao longo dos meses.
Questões como disciplina são importantes, assim como o contato estreito entre pais e professores e a transmissão de valores por meio dos clássicos da literatura infantil para os pequenos. "No primeiro dia de aula, os alunos ficam por dentro de informações como calendário de provas, o uso do uniforme, semana de férias, entre outros pontos", comenta Daiana.
Para Virgílio Tomasetti Jr, diretor geral do Maxi, equilíbrio e afetividade são as palavras-chaves para que o aprendizado ocorra. "O aluno feliz produz mais", resume.
Inteligência, autonomia e cooperação
Segundo Luiza Leonor Cavazotti e Silva, coordenadora e fundadora do Instituto de Educação Infantil e Juvenil, a linha pedagógica de uma escola precisa basear-se na teoria e na filosofia educacional escolhida, e dar conta dos conteúdos que serão repassados aos alunos.
Olhando para o passado, a pedagoga assinala que até 1950, as escolas se baseavam no senso comum. "Especialistas achavam que dava certo o método de aprendizado conduzido de cima para baixo. A partir daí, com as descobertas nos campos da psi­cologia e da neurologia, chegou-se à conclusão de que ninguém aprende vendo ou ouvindo, mas experimentando", explica.
No Instituto de Educação, os alunos estudam tabuada e têm provas, mas não trabalham com livros didáticos nem apostilas. A biblioteca é bastante utilizada pelos estudantes, assim como matérias veiculadas em jornais, tevês e portais da internet para contextualizar o conteúdo das matérias. "Trabalhamos pela experiência", comenta. Ou seja, os alunos não passam o dia inteiro dentro de sala de aula. Além de biblioteca, laboratórios, universidades, museus, visitas a eventos como a Bienal do Livro ou um fundo de vale fazem parte da rotina de estudos.
Como entidade sem fins lucrativos, o Instituto é uma cooperativa de pais. O objetivo da escola, explica Luiza, é trabalhar o desenvolvimento da inteligência, da autonomia e da cooperação. "As escolas de Ensino Médio disputam nossos alunos devido aos resultados nos vestibulares. Eles têm facilidade para aprender e espírito crítico", assinala.

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