Herika Fondazzi
Reportagem Local
Já faz tempo que ajudar em campanhas beneficentes é preocupação tanto de empresas como do cidadão comum. Responsabilidade social, preocupação com o outro e engajamento em boas causas viraram expressões fáceis em reuniões de executivos e encontros de amigos.
  No Brasil, a primeira grande onda de solidariedade veio com a camiseta do Câncer de Mama no Alvo da Moda, que vendeu feito água e até hoje, dez anos depois do lançamento, continua a rechear os guarda-roupas de milhares de mulheres e até de alguns homens.
  A mais nova mania fashion beneficente são as pulseiras de borracha ou silicone com palavras de ordem e esperança. Disponíveis em várias cores, elas são importadas e servem para arrecadar fundos para pesquisas médicas, vítimas de tragédias naturais e causas sociais diversas.
  Dentre todas as opções, a mais famosa é a primeira, que lançou o modismo solidário. Trata-se da pulseira amarela com a expressão inglesa Live strong (Viva intensamente), que já vendeu mais de
48 milhões de unidades no mundo e está virando febre entre os jovens brasileiros. Foi desenvolvida pelo ciclista Lance Armstrong,
33 anos, em parceria com a Nike. Parte do dinheiro da venda é usada para custear uma fundação que o atleta criou depois que descobriu, em 1996, que sofria de câncer nos testículos. A instituição promove pesquisas para a cura da doença.
  Vendida nos Estados Unidos por US$ 1, a idéia foi tão bem aceita pelo público que inspirou outros movimentos e entidades a criar os seus braceletes também. O sucesso trouxe um problema já bastante conhecido dos brasileiros: a pirataria. Em feiras livres e barracas de camelôs é possível encontrar imitações por preços que variam de
R$ 3 a R$ 5 e não ajudam ninguém.
  Já as originais podem ser adquiridas em algumas lojas e pela internet à preços que ficam em torno de R$ 20. Pelo site da fundação de Armstrong (www.laf.org) é possível comprar um pacote com dez unidades por
US$ 10 mais o valor da postagem.
  Em Londrina, as pulseiras de várias cores e propostas podem ser compradas nas lojas Prazer e Lazer e Nick Presentes, ambas no
Catuaí Shopping.
  Atualmente, o idealizador das pulseiras, o americano Lance Armstrong, está curado, namora a cantora Sheryl Crow e continua participando de provas de ciclismo. Medalha de bronze nas Olimpíadas de Sydney, em 2000, ele irá se despedir do esporte no dia 24 deste mês, na Volta da França, disputa que já venceu
por seis vezes.


  ‘‘Passei uma temporada nos Estados Unidos no começo desse ano e descobri as pulseiras porque via todo mundo usando. Lá, até executivo de terno e gravata usa a pulseira amarela no pulso. Aí uma amiga me explicou o que era e eu acabei comprando umas dez para trazer de lembrança para minhas amigas. Tem gente que traz para vender, mas eu não conseguiria pagar US$ 1 lá e vender por R$ 20 ou R$ 30 como fazem aqui. Conheço a história do Lance Armstrong e acredito que o dinheiro da pulseira vai realmente para a instituição. Por isso sou contra comprar as falsificadas. Tenho outras duas pulseiras, uma contra o aborto e outra contra o câncer de mama. Na época da camiseta do câncer, eu também comprei a minha. Acho um exemplo legal para o Brasil, mas aqui a gente sempre desconfia se o dinheiro vai mesmo para onde deveria’’.
Toya Tâmega, 20 anos, estudante


  ‘‘Ganhei minha pulseira de um amigo que foi para os Estado Unidos. Não sabia qual era o objetivo e quando ele me explicou achei bem interessante. Acho todas as pulseiras bem legais porque são baratas e servem para ajudar alguém. É claro que não dá para acreditar que 100% do dinheiro vai para as instituições, mas eu uso a minha com esse propósito. Estive na Europa há pouco tempo e lá as pessoas também usam pulseiras falsificadas, mas dá para ver que é um produto malfeito. Acho que a falsificação acontece porque as pulseiras viraram moda e muita gente não sabe onde comprar e nem que elas ajudam causas sociais. Ainda assim acredito que seja uma idéia legal para empresas e instituições aqui do Brasil copiarem para arrecadar dinheiro, desde que seja de forma legalizada’’.
José Vinicius Munhoz Pinto, 20 anos, professor de inglês

mockup