Dar banho, amamentar, cuidar do umbigo, cortar unhas, identificar se o chorinho do bebê é de cólica, fome ou frio. Passar noites acordadas e no outro dia tomar decisões importantes sobre a melhor vacina, contratar ou não uma babá e administrar a casa. Lidar com as mudanças hormonais decorrentes do parto e ainda manter uma aparência razoavelmente apresentável para receber as visitas, que insistem em aparecer sem avisar para conhecer o novo membro da família.
Nas fotos de cartazes espalhados pelos hospitais e nas propagandas de produtos para recém-nascidos, as imagens mostram mães plácidas que tranquilamente alimentam e ninam seus bebês sem qualquer interferência externa. A realidade, porém, é um pouco diferente. Recentemente apresentadas à maternidade, as mães de primeira viagem enfrentam uma prova de fogo no primeiro mês de vida dos filhos.
É nesse período que elas têm de aprender a sanar as necessidades básicas das crianças e ainda estabelecer uma certa rotina que vai determinar a tranquilidade dos meses seguintes. Na casa da professora Cíntia Romanholi, a agitação do primeiro mês veio em dose tripla. Mãe dos trigêmeos João, Pedro e Tiago, hoje com sete meses, ela ainda teve que conciliar a rotina de dois meninos em casa com as visitas constantes ao hospital onde Tiago permaneceu para ganhar peso.
''Nos primeiros 20 dias sofri um desgaste emocional muito grande por deixar um dos meus filhos no hospital, enquanto os outros estavam comigo em casa'', conta. Para sobreviver à rotina puxada, Cíntia contava com ajuda da mãe durante o dia e uma enfermeira à noite, para que pudesse dormir e, assim, ter mais disposição para os meninos.
Tantas obrigações mudaram totalmente a vida do casal que, por cinco anos - antes de os trigêmeos nascerem -, saia frequentemente para jantar e tinha todo o tempo disponível para assuntos pessoais e a vida a dois. ''Atualmente, eles ficam uma vez por semana com meus pais para que possamos passar algum tempo sozinhos'', diz.
Sobre o trabalho em dose tripla, ela conta que o importante é ter rotina. ''Eles comem, tomam banho e dormem na mesma hora. Se cada um quiser ter seus próprios horários, vira confusão'', relata Cíntia, que conta com a ajuda de duas funcionárias no cuidado com os trigêmeos. Ela comenta também que, como são três, não tem tempo para frescuras e melindres. Tudo é muito rápido e prático'', afirma a professora que, no mês passado, ainda teve fôlego para entregar a dissertação de mestrado.
Mãe de Maria Laura, de um ano e um mês, a empresária Ana Paula Turetta nunca tinha lidado com crianças até ter a primeira filha. Depois do nascimento, entretanto, ela se surpreendeu com a própria capacidade de cuidar do bebê. ''Eu achava que não saberia fazer, mas com a Maria Laura nos braços, parece que o conhecimento estava dentro de mim'', conta ela, que nos primeiros dias quase não contou com ajuda externa para dar conta da rotina.
A maior preocupação de Ana Paula era ''adivinhar'' se Maria Laura estava alimentada e se o leite oferecido era suficiente. ''O mais difícil foi aprender a descobrir o que a criança ainda não sabe dizer'', diz. Encantada com a tranquilidade da filha, ela garante estar preparada para ter outras crianças. ''Imaginava que era bom, mas não sabia que ter filhos era tão maravilhoso'', comemora.

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