Protetor solar: você sabe usar?
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quinta-feira, 26 de outubro de 2006
Da Editoria 
O Instituto Nacional do Câncer (Inca) aponta que os tumores de pele correspondem a 25% do total de casos de câncer registrados no país. Levando em conta que mais de 50% da população tem a pele clara e que o Brasil situa-se em uma zona de alta incidência de radiação ultravioleta relacionada ao aparecimento da doença, a prevenção deveria ser um hábito diário. Mas tão grave quanto a falta de conscientização é a desinformação: poucas pessoas sabem exatamente como escolher e usar o protetor solar.
O sol emite raios ultravioleta A, 95% dos que atingem a Terra, e ultravioleta B, os 5% restantes. A classificação corresponde ao comprimento de ondas. Os raios UVA penetram mais profundamente na pele e são os principais responsáveis pelo envelhecimento. Com a destruição da camada de ozônio, os raios UVB, relacionados ao surgimento do câncer, têm aumentado progressivamente a incidência na superfície.
A falta de conhecimento pode criar uma falsa sensação de segurança, gerando comportamentos inadequados. O mais importante é entender que há filtros solares que reduzem os efeitos das radiações UVA e UVB, enquanto outros têm apenas ação anti-UVB. Além do mais, esse tipo de produto não é uma armadura contra sol. É preciso passá-lo de maneira correta e em todas as partes do corpo, além de evitar os horários de maior incidência solar.
Quatro itens devem ser avaliados a partir de uma leitura atenta do rótulo: fator de proteção; apresentação (em gel, oil free, loção, creme, emulsão ou spray); ação (somente contra UVB ou contra UVA e UVB); e se existe na fórmula, além do filtro químico, algum agente físico (bloqueador solar).
No caso de pele oleosa, é melhor ficar com as versões em gel, oil free ou loção. O creme é mais indicado para pessoas com a cútis ressecada. Por último, a pele normal se adapta bem à emulsão ou a qualquer outro tipo. O spray é o mais prático, indicado para áreas extensas do corpo, tais como pernas e costas.
Peles acneicas (com tendência à formação de acne) pedem produtos com ação não-comedogênica, informação que normalmente ocupa lugar de destaque no rótulo. Por impedir que a pele fique oleosa, o produto evita a formação de cravos e espinhas. Se existe um histórico de alergia, o ideal é escolher um protetor hipoalergênico, sem cheiro e com menor possibilidade de causar reações indesejadas.
O fator de proteção é, na maioria dos casos, relativo aos raios UVB. Por não haver padronização seguida pela comunidade médica internacional para a radiação UVA, não existe especificação para o bloqueio desta. Isso explica a ausência de qualquer referência na maior parte das embalagens. Algumas poucas marcas colocam o fator de proteção UVA no rótulo.
A escolha do protetor ideal depende de tolerância aos raios solares e da cor da pele. O cálculo é simples: com o fator 15, por exemplo, a pessoa pode ficar um tempo 15 vezes superior sob o sol para não se queimar na comparação com o tempo que ela poderia ficar sem proteção. Os produtos com fator 30 normalmente dão conta do recado. Apenas em casos especiais, como o de pessoas albinas, faz-se necessário um fator especial de proteção.
O índice de proteção representa a relação direta entre o tempo que a pessoa pode ficar ao Sol e a porcentagem bloqueada de raios solares: Fator 8 (proteção: 87,5%); 15 (93,3%); 20 (95%); 25 (96%); 30 (96,6%); 40 (97,5%) e 50 (98%).
O protetor tem de ser aplicado sobre a pele seca, 30 minutos antes da exposição aos raios solares. Com a pele molhada ou em contato com a areia, pode perder a eficácia. O fator real de proteção varia de acordo com a espessura da camada de creme aplicada, a frequência da aplicação, a perspiração (transpiração insensível e contínua da pele) e a exposição à água.
A maior parte deles tem suposta ação à prova d'água por 80 minutos. Especialmente na praia, em contato com a água do mar, o produto tende a perder a eficiência rapidamente. Portanto, deve ser reaplicado assim que a pessoa sai da água. O mesmo vale para a prática de atividades físicas que provoquem transpiração excessiva. A indicação é sempre aplicá-lo a cada duas horas.
Fonte: Mário Grinblat, dermatologista do Hospital Albert Einstein, de São Paulo


