A atitude, que começou como uma forma de protesto na adolescência, tornou-se marca registrada do professor e tradutor de inglês Rubem Cauduro, 47 anos, instrutor de karatê, formado em Educação Física. Ele anda descalço praticamente todos os dias, há 30 anos, e em qualquer ocasião - para praticar esportes, trabalhar ou sair com a família.
A peculiaridade de comportamento chama a atenção das pessoas que passam por perto de Cauduro, mas o professor conta que já se acostumou aos olhares curiosos e perguntas sobre sua atitude. "Alguns se assustam, outros escondem a bolsa ou oferecem ajuda'', conta.
Nos dias frios, em que até meias e botas parecem ser insuficientes para aquecer os pés, a rotina se repete e o tradutor segue o dia a dia sem sapatos. As baixas temperaturas, aliás, deram o "start" para Cauduro assumir esse comportamento.
Aos 16 anos, decidiu não calçar nada como uma forma de protesto. Em uma das aulas de karatê que frequentava, seu professor havia pedido para que os alunos levassem roupas de inverno para crianças carentes, e alguns se esqueceram de doar. A campanha fez o jovem pensar nas pessoas que passam frio no inverno pelas condições de pobreza. Resolveu, então, abandonar os calçados. "Foi um ato de revolta, um acorda aí", lembra.
Como um bom karateca, o esporte e a filosofia oriental o influenciaram também a pensar diferente. Para ele, a sola do sapato nos isola do mundo, não apenas fisicamente, mas emocionalmente, o que pode gerar um isolamento do que está ao nosso redor. "Trocar energia com terra, olhar melhor onde pisamos", explica.
Com a sola dos pés muito bem adaptada ao chão, o professor revela que pratica karatê diariamente e caminha ao ar livre pela cidade. Ele acredita que agindo dessa forma o ser humano, em condições normais, teria uma passada diferente.
Ele assinala ainda que a sua decisão não tem relação nenhuma com religião, apesar de ser simpatizante do budismo. "E nada me impede de amanhã começar a usar sapatos". (E. S.).

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