Terminar a 4ª série e ingressar na 5ª. Parece uma simples mudança de fase escolar, mas não é. Acordar cedo, conviver com mais crianças, sendo muitas delas vindas de outros colégios, ter aulas com mais professores, inclusive os do sexo masculino, e estudar novas matérias, são algumas das principais mudanças que as crianças – ou pré-adolescentes - sentem nessa nova etapa de vida.
"Eu sempre estudei à tarde, então foi um pouco difícil acostumar a acordar cedo. Eu também percebi que as tarefas aumentaram bastante e, nas provas de sábado, quem fica na sala é um fiscal e não a professora", conta Lívia Álvares Ramires, 11 anos, estudante da 5ª série ou 6º ano do ensino fundamental de nove anos. Para seu colega de turma Iago Favoreto Fernandes de Oliveira, também de 11 anos, o problema não foi acordar cedo, mas se acostumar a tantos professores diferentes. "Cada um tem um jeito, então a gente tem de se comportar diferente a cada aula. Mas não tive pro­blemas porque eu perguntava para meu irmão mais velho como seria a 5ª série e ele me explicava, então já vim preparado" revela.
De acordo com Carla Rocco, coordenadora do Fundamental II do Colégio Universitário, esse processo de adaptação depende muito de cada aluno, mas geralmente dura em média um bimestre. "Nessa fase eles passam por muitas mudanças, inclusive as hormonais que, de certa forma, acabam refletindo no modo de lidar com tudo isso", diz. Carla afirma ainda que é comum o desempenho cair um pouco nessa nova fase, o que causa frustração. "Eles ainda não sabem lidar com essa situação, muitos choram por causa da nota baixa e têm dificuldades em enfrentar a família", afirma a orientadora educacional Marta Inez Rossi Freitas, afirmando que nessa fase o apoio dos pais é importantíssimo para os estudantes. "Conforme vão crescendo, os conflitos ficam mais difíceis de resolver, e um suporte nessa hora é fundamental".
Segundo Carla, um dos pontos que caracterizam a não adaptação do aluno à nova fase é o surgimento de dificuldades no aprendizado. "O aluno não consegue organizar os horários, as atividades, as tarefas e, consequentemente, as dificuldades aparecem, o que pode causar um certo desânimo em relação à escola". Porém, segundo a coordenadora, são poucos os que não se habituam às mudanças, vistas como indispensáveis para o crescimento de cada aluno. "Apesar das mudanças criarem uma certa expectativa nos alunos, é uma fase importantíssima para eles, pois é o momento em que aprendem a fazer escolhas e, com certeza, colherão os frutos lá na frente", argumenta Carla.

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