Projeto orienta
pais e filhos


Milton Dória‘‘Fazemos uso do material que caracteriza uma sala de cirurgia’’, diz a enfermeira Edite KikuchiO Hospital Universitário vem desenvolvendo, desde 1994, o projeto ‘‘Atendimento Interdisciplinar à Criança Cirúrgica e sua Família’’, que conta com a participação de uma psicóloga, uma assistente social e vários enfermeiros. A coordenadora do projeto e professora de enfermagem Edite Mitie Kikuchi, explica que o trabalho atende crianças de 0 a 12 anos que vão ser operadas no HU e no Hospital da Zona Norte. ‘‘No entanto, a orientação aos pais e às crianças é dada no Hospital de Clínicas, no Campus Universitário’’, informa Edite.
Para familiarizar a criança com a realidade hospitalar, os profissionais fazem uso de material e brinquedos lúdicos que caracterizam uma sala cirúrgica. ‘‘Durante a orientação, as crianças manipulam soro, seringas, luvas e aventais. Mostramos para ela que o médico estará usando uma máscara e um gorro que o deixam parecido com uma tartaruga ninja. Explicamos tudo o que ela vai encontrar dentro do centro cirúrgico, mas sem entrar em detalhes desnecessários’’, ressalta Edite.
Separação O projeto faz uso também de livros infantis que mostram crianças vestidas para uma cirurgia, ao lado da equipe de médicos, enfermeiros e anestesista. ‘‘Nosso objetivo é diminuir ao máximo a tensão que se forma na porta do centro cirúrgico, quando a criança tem que entrar e a mãe precisa ficar do lado de fora. Essa separação é muito estressante. A criança começa a gritar e a mãe entra em desespero. Isso pode ser evitado ou, pelo menos, amenizado quando existe uma preparação prévia’’, afirma a enfermeira.
Segundo a coordenadora do projeto, toda a orientação é feita na presença da mãe. ‘‘Porque ela terá que dar continuidade ao trabalho em casa. Além disso, a mãe aproveita para tirar todas as dúvidas que teve vergonha de esclarecer junto ao médico. Depois de uma certa idade, a criança também tem curiosidade em saber como será a cirurgia. Um menino de 10 anos, por exemplo, que vai ser operado de fimose, tem medo que o médico corte o pipi dele. Para tranquilizá-lo, é preciso dizer o que realmente será retirado. Por isso, dependendo da idade da criança, a abordagem tem que ser diferente’’, explica a professora.
O trabalho da equipe não se restringe apenas ao pré-operatório, mas também ao processo de recuperação. ‘‘Os pais são orientados sobre os cuidados básicos que precisam ter quando a criança vai para casa’’. Na opinião de Edite Kikuchi, a preparação física e psicológica da criança para uma cirurgia não é uma obrigação apenas da família, mas também dos hospitais e dos profissionais de saúde. O projeto já foi apresentado em várias cidades brasileiras e também em países como Argentina e Uruguai.

mockup