Projeto atende crianças e adolescentes
O professor Arli Ramos de Oliveira, docente de Educação Física Escolar na Universidade Estadual de Londrina (UEL), é um defensor da musculação em todas as idades, inclusive para crianças. Há três anos, ele desenvolve em conjunto com os acadêmicos Andrei Guilherme Lopes e Sidiclei Risso que, atualmente, estão no 4º ano do curso de Educação Física, um projeto de Treinamento de Força para Crianças de 6 a 16 anos.
Para desenvolver o projeto que já tem 20 trabalhos apresentados em congressos científicos, os alunos recebem bolsas do CNPq. O projeto está atendendo 30 crianças, mas existem 150 na fila de espera, informa o professor. O programa não contempla maiores de 16 anos porque, a partir dessa idade, os jovens já podem fazer musculação nas academias, acrescenta Andrei Guilherme.
O projeto faz parte do Núcleo de Atividades Físicas (NAFI), do Centro de Educação Física da UEL. Nosso objetivo não é estético, mas usar a musculação como alternativa de saúde, observa Arli Ramos. Segundo ele, a musculação melhora o desenvolvimento motor e a auto-estima. Ela é uma atividade ótima para mulheres porque previne contra o enfraquecimento ósseo que ocorre com a chegada da menopausa, salienta. A mulher pode fazer treinamento de força sem ficar musculosa, mas sim com o corpo tonificado, acrescenta o acadêmico Sidiclei Risso.
O professor Arli Ramos ressalta que o adolescente se inscreve no projeto com o objetivo de ficar mais saradão. Entretanto, durante o treinamento procuramos reverter esse conceito, mostrando a ele que o mais importante é uma vida saudável, assim, quando ele completar 16 anos e sair do projeto para praticar musculação em uma academia terá uma outra mentalidade, o que vai diminuir o risco de ele recorrer ao uso de anabolizantes.
Arli Ramos informa que a UEL tem sido pioneira nessa área, inclusive com uma produção científica significativa que tem despertado atenção em congressos. Quando a criança entra no projeto, nós fazemos uma avaliação física completa, verificando postura, maturação sexual e problemas de crescimento. Se detectamos algum desvio, orientamos os pais a procurarem um especialista, observa.
O docente não aconselha o adolescente a fazer musculação todos os dias. É preciso dar um tempo para o corpo descansar. Três vezes por semana, com duração de uma hora são suficientes. É bom também alternar com outros esportes, aconselha Arli Ramos. Ele diz ainda que é importante os pais visitarem a academia onde o filho está fazendo musculação e conversar com o professor, certificando-se de que o garoto está sendo bem orientado.
Os acadêmicos Andrei e Sidiclei, que são monitores do projeto, estão tão empolgados com os resultados do programa que vão fazer o trabalho de conclusão do curso nesta área. Mas também já estamos pensando em fazer mestrado e defender tese sobre treinamento de força em crianças e adolescentes, já que no Brasil existe pouca literatura nesta área, afirmam. (C.M.)





