Profissão: mãe
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quinta-feira, 10 de maio de 2001
Vivian Ávila Pavan Especial para a Folha da Sexta 
Doação. Este é, sem dúvida, o termo que define a opção de muitas mulheres que escolheram ser mães em tempo integral num período de suas vidas. Passado o sufoco com as fraldas, mamadeiras e os primeiros anos de vida dos rebentos, elas vão abrindo espaço na agenda para o crescimento pessoal e profissional
A chegada de Gabriel, 5 anos e, depois, de Alexandre, 3, mudou completamente a rotina da desenhista industrial Ana Lúcia Fróes da Motta, 35 anos. Antes do nascimento dos filhos, ela e o marido, José Roberto, tinham vida noturna ativa. Hoje, sem poder contar com o auxílio da mãe e da sogra que moram fora de Londrina, os passeios noturnos foram drasticamente reduzidos.
Conforme Ana Lúcia, a transformação teve início antes da primeira gestação, quando deixou o trabalho para se dedicar ao projeto de ser mãe. O tratamento para engravidar exigiu uma série de procedimentos e exames médicos que começaram a atrapalhar o meu trabalho, observa.
Ana Lúcia acredita que a atenção integral possibilita acompanhar o desenvolvimento dos filhos, cumprindo uma rotina não tão estressante. O horário da natação, por exemplo, não fica restrito ao tempo da aula. Há sempre um tempinho para que eles possam brincar antes das atividades, comenta.
Segundo ela, o trabalho profissional já começa a fazer falta, mas como queria muito ter filhos, se sente realizada como mãe. O retorno de tanta dedicação, da rotina diária de afazeres que ela encara também como um trabalho, é imediato: Os dois são muito amorosos, gostam de um chamego.
Difícil recomeço Não é fácil abandonar o lado profissional, destaca a pedagoga Zélia Regina Fabretti, 37 anos, que optou deixar o trabalho assim que nasceu Danielle, hoje com 14 anos. Depois vieram Gustavo, 12, e Tatiane, 8 anos.
Na opinião de Zélia, há uma cobrança geral para que a mulher retorne ao mercado de trabalho: do marido, dos amigos, da sociedade. A gente acaba se acomodando e é difícil recomeçar, revela.
Foi pensando nessa volta que ela decidiu reiniciar os estudos. Está a um ano da formatura no curso de Ciências Contábeis. Segura, diz que todo o seu tempo sempre foi voltado aos filhos. Agora, com a faculdade, reserva momentos do dia só para ela. Essas horas em que saio de casa para estudar são momentos de grande prazer, observa.
Para Zélia, que já pensa em cursar uma pós-graduação, exercer uma profissão, um trabalho fora do lar, é fundamental para a mulher. Além do aspecto financeiro, ela destaca, também, a questão da valorização pessoal. A profissão, o trabalho, faz você se sentir gente!, assegura
O ideal, acredita, é a dosagem entre exercer uma atividade profissional e ter um tempo para acompanhar o desenvolvimento das crianças. Filho precisa de pai e mãe a vida toda, só que não precisa deles as 24 horas do dia. Eles também crescem com essa ausência, afirma.
O retorno Mãe de Stephanie, 4 anos, e Sabrina, 5 meses, a empresária Alessandra Hakme, 27 anos, já se prepara para voltar às atividades profissionais.
Para voltar ao trabalho, Alessandra vai contar com a ajuda preciosa da babá, Silvana, que está com a família há três anos, e, também, das duas avós. Sou uma mãe presente, estou superfeliz com minhas duas filhas e podendo voltar ao trabalho, avalia.
A oportunidade surge no momento em que Sabrina ainda está muito pequena. Com Stephanie, lembra, o retorno às atividades aconteceu quando ela já havia completado um ano e quatro meses. Sei que poderei estar com Sabrina quando quiser ou quando ela precisar de mim, frisa.
Diferente de mães não tão jovens, Alessandra acredita que as mães de hoje não estão sabendo contrariar os filhos. Dizemos um não que não é não. Eu sou mole e minha mãe não era, pondera.
Tendo como exemplo o apoio que recebeu da mãe, Alessandra diz que a relação entre ela e as filhas será sempre de amizade, liberdade e responsabilidade. Quero ser amiga das minhas filhas e não competir com elas porque sei que vou perder.


