Imagine um trabalho em que sua função é percorrer o país, visitando showrooms de moda, assistindo aos desfiles mais concorridos do Brasil e, de quebra, comprar roupas e acessórios dentro de tendências das próximas temporadas. Esse emprego existe e é coisa séria. Executado pelas buyers - que em inglês significa "compradoras" , o trabalho é considerado a profissão do momento. Porém, não é só de glamour que vivem essas caçadoras fashion. Além de ter um felling apurado para a moda, elas mostram que é fundamental possuir outras habilidades: organização, pesquisa, afinidade com o segmento de moda e muita vontade de trabalhar.
Cliente amiga
A buyer londrinense Maria Carolina Abrão, 24 anos, é responsável pelas compras da multimarcas How. Com influência da moda carioca, a loja trabalha com grifes como Cantão, Maria Filó, Juliana Jabour, Farm e Totem. Em sua rotina de trabalho, Carolina se desdobra para frequentar as principais semanas de moda do Rio de Janeiro - Fashion Rio, Fashion Business e Rio-à-Porter -, visitar showrooms e acompanhar as vendas da loja, através de um contato direto com as clientes, tudo sem perder o sorriso. "São as clientes que direcionam as compras", afirma. "Analisando o estilo das consumidoras com as informações que elas mesmas fornecem, é que vamos fazer traçar o perfil de cada uma delas, saber do que gostam e trazer peças específicas", comenta Carolina, que se formou em Administração e faz MBA em Gestão Comercial.

Glamour com mãos de ferro
Uma das primeiras buyers de roupas de grife da cidade, Tiyoco Miyano é compradora e sócia da boutique Recos há mais de 30 anos. Apaixonada pelo que faz, ela se diz viciada em informações de moda e elege a blogueira Mariah Fernandes e as it girls Olivia Palermo e Sienna Miller como referências do estilo contemporâneo. Mas, apesar de admirar o glamour da profissão – Tiyoco participa de todos os principais eventos de moda do país –, ela revela que nos bastidores a história é outra. "Acho que quem deseja seguir a profissão precisa saber negociar, gerenciar e impor as suas decisões", afirma. "Com isso, será capaz de garantir bons preços e prazos para os fornecedores, além de assegurar o sucesso dos negócios", completa.
Profissionalismo acima de tudo
"Uma buyer não pode comprar o que gosta", afirma Vivianny Baccarin, proprietária e compradora da marca carioca Enjoy. É com esse mandamento que ela gerencia três lojas da marca, uma em Londrina e duas no Mato Grosso. "A buyer precisa entender o perfil da sua cliente e ser objetiva. E quando se trabalha para uma franquia, algumas atitudes são diferentes. Temos de observar que a cliente do Sul é totalmente diferente daquela que vive no Sudeste e no Centro-Oeste", conta. "Por isso, temos que ter cuidado ao investir em determinados tipos de estampas e cores, caso contrário a peça pode ficar encalhada e gerar prejuízo para a empresa." Estar um passo à frente das tendências também é outra diferença de uma loja franqueada em relação a multimarcas. "Agora, por exemplo, estamos comprando as novidades do inverno 2012", afirma.

Imagem ilustrativa da imagem Profissão: compradoras de moda
Vivianny Baccarin: a escolha de estampas e cores exige cuidados para a peça não ficar encalhada
Imagem ilustrativa da imagem Profissão: compradoras de moda
Organizada e perspicaz, Maria Carolina Abrão, de 24 anos, compra o que suas clientes mais desejam
Imagem ilustrativa da imagem Profissão: compradoras de moda
Tiyoco Miyano adora se informar sobre tendências mundiais, por isso não desgruda do celular e do notebook