Dorico da Silva‘‘Faço uma combinação de elementos, dando à jóia um segmento arqueológico’’, diz Marcos GuerraExistem pessoas que se dedicam a determinadas atividades que poucos conhecem. É o caso desses três homens: Marcos Guerra, Evgueni Ratchev e Wilson Rodrigues Vieira. Cada um deles, ao seu modo, desenvolve um trabalho muito peculiar. O primeiro, busca nas peças arqueológicas a inspiração para criar jóias que são verdadeiras obras de arte. O segundo, se dedica à nobre tarefa de construir instrumentos de cordas, sendo considerado um dos melhores do mundo nessa área. E o terceiro, viaja para várias partes do mundo registrando em imagens o trabalho de missionários evangélicos.
Há quatro anos, Marcos resolveu abandonar a profissão de mergulhador para se tornar ourives. Depois de queimar muito as pontas dos dedos trabalhando como aprendiz em oficinas de joalherias, ele decidiu fazer algo que o diferenciasse dos demais profissionais. ‘‘Eu não queria ser mais um dentro desta atividade. Como sempre gostei muito de arqueologia, resolvi buscar nos livros de História Antiga um aliado para meu trabalho’’. A partir da foto de um barco viking em ruínas, Marcos faz, por exemplo, um belo brinco. ‘‘Um martelo de pedra usado pelos homens pré-históricos pode servir de inspiração para uma espátula ou um prendedor de papel. Na verdade, eu faço uma combinação de elementos, dando à jóia um segmento arqueológico’’, explica ele.
Jorge Correa SantosEvgueni Ratchev é um dos melhores do mundo na arte de construir instrumentos de corda
Todas a peças são feitas manualmente e Marcos Guerra chega a ficar 10 dias trabalhando em cima de apenas cinco gramas de ouro. ‘‘Nenhum outro ourives se dá ao luxo de perder tanto tempo com tão pouca quantidade de ouro. Mas, meu objetivo é que a pessoa ao usar um anel, além de uma jóia, ela tenha no dedo uma obra de arte e, no mínimo, dois mil anos de história’’. Marcos diz que não tem conhecimento de outro ourives que faça jóias com temas arqueológicos. ‘‘Já participei de várias feiras pelo Brasil afora e nunca encontrei peças semelhantes a minha’’, acrescenta. Trabalhando apenas com ouro e prata, Marcos também desenvolve jóias minimalistas que se caracterizam por ter o mínimo de elementos possíveis.

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