Produtos probióticos
Alimentos preparados com microorganismos vivos enriquecem a dieta, prevenindo e combatendo doenças
Jossânia Navolar

Dorico da Silva
Os microorganismos são utilizados principalmente em leites e iogurtes, mas podem ser usados em qualquer produto alimentícioMelhoria do sistema imunológico, redução do colesterol, controle da diarréia e até prevenção de câncer do intestino são alguns dos benefícios creditados à ingestão de produtos que contêm lactobacillus com características probióticas. Entre eles, os lactobacillus acidophillus e L. Casei, e diferentes espécies de bifidobactérias, microorganismos capazes de produzir bacteriocinas e ácido lático. Além disso, suportam altas concentrações de sais biliares, por isso têm condições de sobreviver no intestino humano.
Devido a essas propriedades, esses microorganismos vêm sendo usados em larga escala, em vários países do mundo. Nos Estados Unidos e na Europa, os probióticos são apresentados não apenas em iogurtes, leites comuns e fermentados, mas também em sachês e cápsulas. No Brasil, entre os mais conhecidos estão o Bio Rich, o Yakult e o LC1. A Chr. Hansen do Brasil aposta neste mercado e planeja lançar, ainda neste ano, mais uma novidade na área. O interesse pelos probióticos vêm unindo indústrias e universidades em projetos comuns, como o NordFood, visando o desenvolvimento de culturas como ingredientes para esse tipo de produto.
Mário Cesar
Segundo o diretor de pesquisa Raul Jorge Hernan Castro Gómez, os probióticos em seres humanos têm apresentado resultados após 30 dias ininterruptos de uso
Segundo o diretor de pesquisa Raul Jorge Hernan Castro Gómez, a Universidade Estadual de Londrina, através do Departamento de Tecnologia de Alimentos, vem desenvolvendo vários projetos nessa área. ‘‘As empresas que desejarem produzir podem entrar em contato conosco’’, avisa. Um dos produtos mais recentes, desenvolvido pelos pesquisadores da UEL, é a bala que tem por objetivo estabilizar a flora intestinal. Feita com um açúcar especial que não provoca cáries, sua distribuição em postos de vacinação, por exemplo, seria de grande ajuda na prevenção de diarréia. ‘‘Outro produto que foi desenvolvido por nossos pesquisadores é um pudim, com o mesmo objetivo da bala, ideal para ser distribuído em creches’’.
De acordo com o pesquisador, os probióticos são produtos naturais, sem qualquer contra-indicação. Eles não são voltados a dietas específicas, mas podem ser adaptados a qualquer uma. ‘‘Os microorganismos utilizados tanto podem ser colocados em leites e iogurtes como em doces e pães ou qualquer outro produto, dietético ou não’’, explica.
No entanto, para atingir os fins terapêuticos a que se propõem - regular a flora intestinal, evitando constipação e diarréia-, os probióticos devem ser produzidos em altas concentrações. E só apresentarão resultados se consumidos diariamente. ‘‘Os experimentos em seres humanos têm apresentado resultados após 30 dias ininterruptos de uso’’, observa.
O emprego de probióticos na alimentação de animais também vem se mostrando útil. Utilizados principalmente em silagens, eles têm por objetivo promover maior crescimento em situações de estresse e desmame, entre outros.

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