Larissa, 6 anos, sempre foi uma criança extrovertida, falante e brincalhona. A agitação era vista pelos pais como uma característica normal de sua personalidade. Mas a equipe da escola começou a perceber que havia algo de errado. Ela falava muito alto, não entendia com facilidade o que as pessoas diziam e começou a apresentar dificuldades de aprendizagem. A coordenação chamou a família para conversar e Larissa foi encaminhada para alguns especialistas. ''Ela visitou profissionais da área de psicopedagogia, pediatria e otorrinolaringologia'', conta a mãe Lidia de Andrade Sawai Biguinatti.
O diagnóstico veio logo. Larissa apresentava uma má formação na audição interna. ''Descobrimos o problema quando ela tinha quatro anos. Na época já tinha perdido parte da audição. Foi submetida a uma cirurgia e colocou dreno nos dois tímpanos '', lembra Lidia, que hoje comemora os resultados do tratamento. A filha, segundo ela, apresentou melhoras significativas, aumentando a capacidade de concentração, o que refletiu positivamente na aprendizagem. ''Serei eternamente grata'', diz.
O exemplo de Lidia pode servir de alerta. É preciso ter cuidado antes de estigmatizar uma criança como desobediente, agitada ou preguiçosa. Às vezes são sintomas de um problema de saúde ou de um distúrbio que interfere no processo de aprendizagem. E para identificar características preocupantes a escola deve contar com profissionais capacitados, uma vez que é mais fácil detectar determinados problemas no ambiente escolar do que no meio familiar.
''Quando os sintomas são detectados, a família deve ser logo comunicada e orientada pela coordenação, como aconteceu comigo'', afirma Lidia, que é coordenadora pedagógica do Ensino Fundamental I do Colégio Londrinense. Segundo ela, os distúrbios mais comuns são TDAH (Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade) e Dislexia.
A dislexia, de acordo com a coordenadora, é a dificuldade no processo de desenvolvimento da leitura e da escrita. ''A criança não compreende o que lê e escreve de forma errada, mas não percebe o erro'', explica, ressaltando que o problema na maioria das vezes é desencadeado por razões genéticas.
Sintomas também comuns são desatenção, atraso no desenvolvimento da fala e da linguagem, fraco desenvolvimento da coordenação motora, falta de interesse por livros impressos e atividades escritas. Mas o fato de apresentar alguns desses sintomas não indica necessariamente a presença da dislexia. Segundo a Associação Nacional de Dislexia (AND), o diagnóstico acontece após a aplicação de testes de linguagem e de inteligência, que devem ser realizados por fonoaudiólogos e psicólogos.
Caso o problema seja confirmado, a criança disléxica deve receber um tratamento multiprofissional para estimular o processo de aprendizagem.
Outro complicador que pode ser diagnosticado em idade escolar é o TDAH, que acomete cerca de 7% da população mundial, atrapalhando o desenvolvimento tanto no aspecto cognitivo quanto no social. ''O aluno pode ser hiperativo, ter déficit de atenção ou apresentar os dois problemas, o que agrava a situação'', explica a coordenadora do Colégio Londrinense. Segundo ela, uma criança agitada pode não ser hiperativa. ''Diante dos sintomas, é preciso encaminhar o aluno para profissionais especializados para confirmar a presença -ou não - do TDAH'', orienta.
Os principais sintomas do transtorno são dificuldade de concentração, agitação excessiva e problemas de aprendizagem. O tratamento indicado também envolve profissionais de diversas especialidades, como psicologia, psiquiatria e neurologia. Em alguns casos, é necessário a utilização de medicamentos.
De acordo com ela, os professores também devem estar atentos aos sintomas que indicam problemas de visão e audição. Crianças que falam muito alto, pedem constantemente para a pessoa repetir o que disse, são distraídas e agitadas podem apresentar problemas de audição. Já as que sentem dores de cabeça, precisam aproximar o livro ou caderno dos olhos para ler e têm erros de escrita podem estar com dificuldades de visão.
O problema muitas vezes pode ser simples e o tratamento também, mas o diagnóstico precoce pode fazer toda a diferença para o desenvolvimento e futuro da criança. ''Quanto mais cedo iniciar os tratamentos melhores serão os resultados'', reforça Lidia.

mockup