Princesas modernas
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sexta-feira, 16 de novembro de 2007
Thaís Kuzman<br> Agência Estado 
Nos tempos em que ''ficar'' deixou de ser verbo para se transformar no auge das relações adolescentes, não parece fazer sentido que as meninas ainda sonhem com românticas festas de debutante. Os tradicionais eventos, que em seu início serviam para apresentar as jovens à sociedade, nunca estiveram tão em alta. O toque de modernidade dá as caras no momento em que as aniversariantes escolhem um acessório de que não abrem mão para celebrar seus 15 anos: o príncipe encantado.
Assim como optam pelos melhores vestidos, as meninas passaram a escolher o garoto com quem vão dançar a valsa. É aí que entram as agências de modelos para a ocasião. Há sites com fotos e até descrição da personalidade dos cavalheiros, além de books com os melhores ângulos dos rapazes. ''Há debutantes que só escolhem o príncipe minutos antes da festa. Nós ficamos em fila e ela vai dizendo ''esse não, esse não''', conta o modelo Israel Eskildecen, 20 anos.
Ele faz parte do grupo Kadetes de Honra, que além de fornecer o par ideal para a jovem aniversariante, também cuida do cerimonial e dos coadjuvantes. ''O príncipe é o rapaz que dança com a dona da festa, enquanto os Kadetes se encarregam das amigas delas'', explica.
Para tornar tudo digno dos devaneios juvenis, os galãs contratados usam uma vestimenta que mistura as roupas de gala militares, o figurino da realeza e um toque dos paquitos, dançarino do extinto programa da Xuxa, da Rede Globo. ''Na primeira vez que me vesti assim, me senti um robozinho'', confessa Fernando Cruz, de 17 anos.
Enquanto os cadetes cruzam suas espadas em forma de portal, a rainha do baile é conduzida entre as lâminas por seu par. Apesar de muito treino, nem sempre tudo sai dentro do planejado. ''Eu tropecei e quase caí na hora de dar a mão para uma garota. Ficamos tão envergonhados que ela decidiu improvisar e ficar de braço dado com outro modelo'', diverte-se Israel. Ele já foi escolhido mais de 30 vezes como o galã principal. ''Acho que elas gostam do meu cabelo.''
Outro que se atrapalhou na hora de viver o papel do cavalheiro com armadura é Diego Guimarães, 19 anos. ''Como o pai da menina estava com um problema na mão, fui ajudá-lo no momento da troca de sapatos. Eu tentava, tentava e não conseguia tirar o sapato da garota. Fiquei meia hora só nisso.''
O modelo conta que algumas debutantes preferem algo menos tradicional. ''A vez que eu mais senti vergonha foi quando a dona da festa cismou que queria que eu me vestisse e dançasse como o Troy, do High School Musical.''
Thaís Perci estava escolhendo todos os detalhes de sua festa de 15 anos, quando, entre anúncios de bolos e vestidos, encontrou um sobre os príncipes de aluguel. ''Eu vi o Israel e na hora gostei dele. Pedi para os meus pais contratarem os meninos''. Já Mayara Garcia não pôde escolher o par ideal. ''As amigas falavam desses modelos contratados, mas meu pai nem quis ouvir a respeito. Todo mundo acha meu primo lindo, dancei com ele mesmo.''
Os meninos não escondem o que os atrai. ''Quando me disseram que eu ia ganhar dinheiro para ir à festas, nem acreditei'', sintetiza Vinícius Lemes, 18 anos, novato entre os Kadetes. Todos frisam, contudo, que assim como todas as profissões, essa também tem seus problemas. ''Nem sempre somos contratos por beldades, não é?'', diz Israel.
Príncipes de aluguel
Ele diz que, por mais bonitas que sejam as damas, o trabalho os obriga a não avançar o sinal - ao menos não durante a festa. ''Não beijamos as meninas. Se houver interesse das duas partes, a gente pode trocar telefones, mas tudo com muito respeito'', tenta explicar o garoto, para na sequência, disparar. ''As meninas são saidinhas. Outro dia tomei beliscões de uma debutante.''
Tanta fixação por parte da ala feminina acaba atraindo o ódio dos machos de plantão. ''Não adianta esconder, os caras têm inveja da gente mesmo. Para fugir de briga, eu já arrumei uma solução: finjo ser gay. É a melhor maneira de tranquilizar os despeitados'', revela Israel, que se mostra um grande filósofo: ''O que as pessoas não percebem é que não importa se somos feios ou bonitos. As meninas suspiram porque representamos seus sonhos. Toda garota quer seu príncipe encantado''.
O preço de uma valsa: R$ 50 mil
Dançar a valsa olhos nos olhos com um belo cavalheiro de farda de gala é o sonho da maioria das meninas que fazem festas de debutantes. Melhor ainda se o tal príncipe for um famoso de olhos claros e sorriso branco - e, de preferência astro de uma produção global. De olho nesse inesgotável filão, muitos galãs em começo de carreira enchem a conta bancária entre uma dança e outra.
O ator Cauã Reymond, nem é tão novato assim. Mas aposta em seu charme de garotinho para continuar arrebanhando contratos de aparições em festas de 15 anos. Thiago Rodrigues é outro que vai a todo vapor na função de ''príncipe de aluguel'', assim como Sérgio Abreu e Bruno Gagliasso. Apesar de fazer cada vez mais sucesso na TV, ele não abre mão de dançar de smoking com apaixonadas jovens.
Uma rápida sondada na internet mostra que ter um ídolo entre os ''convidados'' não é um capricho muito barato: pode sair por mais de R$ 50 mil reais, dependendo da popularidade do ator.
O negócio é tão rentável para as estrelas, que até mesmo o badalado Rodrigo Santoro já fez as vezes de acompanhante. Hoje, o ator só quer saber de polpudos contratos publicitários, mas gastou muita sola de sapato em salão de festa até poder rejeitar esse tipo de atividade.
Outro que também se deu bem no mundo das aparições vip foi Thiago Lacerda, que chegou a dizer que as mães das debutantes ficavam mais assanhadas do que as meninas quando aparecia na celebração. Nada espanta mais, entretanto, que o êxito de Carlos Casagrande nesse ramo: ele afirma ter dançado com mais de 200 meninas em uma única festa.


