Assim como o preto e o cinza, verdes, marrons e azuis prometem dar o tom à próxima temporada de frio. O amarelo também aparece com força, iluminando a estação. Destaque para as estampas e texturas de peles de animal. É o que mostrarão os estilistas na maratona de lançamentos outono-inverno da próxima semana (veja programação ao lado).
Marcelo Sommer aposta nessa onda ‘‘selvagem’’ e usa pelúcia colorida com estampas de onça e dálmata na coleção inspirada nos clubes noturnos. Até mesmo o clássico Ricardo Almeida investe nas peles (sintéticas), para dar um clima excêntrico, irônico e imprevisível ao seu inverno. A M. Officer inclui pêlos sintéticos com aspecto astracã entre os seus tecidos tecnológicos e vai buscar inspiração na cultura popular brasileira. Além da parceria com os músicos Naná Vasconcelos e Zeca Baleiro, Carlos Miéle se alia agora ao arquiteto Paulo Mendes da Rocha.
A trilha sonora será destaque também no desfile da Patachou, que contratou o músico mineiro Paulo Sérgio Santos, do grupo Uakti. O compositor vai utilizar cinco canções compostas por pacientes psiquiátricos. Na passarela, roupas inspiradas na Boneca Bluette, que pertence ao acervo do Musée de la Poupée de Paris. Uma evocação à lembrança ingênua do instinto feminino.
Deformação e disformidades são o ponto de partida para a coleção da Der Haten, que faz reproduções de formas da anatomia humana. O estilista Fause Haten usa referências da alta-costura, mas dá ênfase ao artesanal, como os bordados que lembram desenhos caipiras e o tricô manual. Tramas naturais também aparecem na coleção da Equilíbrio, que mostra seis mulheres e seus desejos. Prometendo uma coleção mais clean, Lino Villaventura propõe formas retas, delineando o corpo em tecidos como veludo metálico e gases de seda pura com aplicação de polietileno.
Já Reinaldo Lourenço trabalha com o conceito de roupa utilitária, que se desintegra para em seguida se transformar. Reconstrução também norteia a coleção da Zoomp: aplicações de costuras e articulações são alguns dos destaques. Permanece o conceito de peças 2 em 1, sucesso da grife na última temporada.
Outra marca a reinvestir no sucesso é a Ellus, que dá continuidade à história do hippie-chic. Desta vez, as peças vêm mais sofisticadas, com formas alongadas, mas ainda privilegiando o conforto. Destaque para o mix de texturas e tecidos, num jogo de leve versus pesado. ‘‘Menos hippie e mais chique’’, resume o assessor de imprensa Marcelo Sebá.
A Iódice se conecta no futuro fashion e procura o link entre sonho e realidade. Evoca o estilo dos jovens nas décadas 60/70, e ao mesmo tempo, a febre sportwear, com muito nylon e aplicação de zíperes. Misturando fórmulas químicas e processos artesanais, Valdemar Iódice cria tecidos body-friendly, ‘‘aliados da coreografia do corpo’’. É esperar o frio chegar para conferir, na pele, o real significado desta e de outras invenções da moda. (RV)

mockup