Paulo Wolfgang‘‘Sem tratamento adequado, a criança não chegará à adolescência’’, alerta o pediatra Alfredo ZepedaAs estatísticas sobre fibrose cística não são nada animadoras. Além de ser uma doença congênita, adquirida na concepção, é também um dos males menos diagnosticados no Brasil. Mais frequente na raça branca, a fibrose cística ataca as glândulas exócrinas que lançam as secreções para fora do organismo. ‘‘Devido a um defeito genético, as secreções - saliva, muco e líquido seminal - ficam mais espessas e acabam obstruindo os canais de excreção das glândulas que começam a se deteriorar. Os órgãos mais atingidos são pulmões, pâncreas e fígado’’, informa Alfredo Zepeda Willis, professor de pediatria do Hospital Universitário, da Universidade Estadual de Londrina.
Segundo o médico, o que mais contribui para o agravamento da doença é o diagnóstico tardio. ‘‘Isso acontece devido à desinformação da classe médica sobre o assunto e à falta de testes disponíveis nos hospitais. É uma doença que exige um conhecimento amplo de genética’’. A transmissão ocorre quando a criança herda um gene anormal do pai e outro da mãe. Mesmo sendo portadores sadios de fibrose cística, eles têm 25% de chances de transmitir a doença para o filho. ‘‘Sem um tratamento adequado, a criança não chegará à adolescência’’, alerta o pediatra.

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