Preguiça e alimentação inadequada
Muitos pais dizem que nessa fase o jovem é um come-dorme, e não quer saber de exercícios. Passa noites acordado e perde a hora da aula. Outros dormem o dia todo. Alguns perdem totalmente o apetite e ficam sem sono. A médica pediatra Vera Beltran, em sua clínica em Maringá trabalha com muitos adolescentes. Ela diz que as transformações começam para os meninos entre os 12 e 14 anos. É um período conhecido como estirão, que demora cerca de 3 anos. O corpo aumenta, tudo cresce, é a maior fase de crescimento da criança, que pode crescer até 15 centímetros num ano. É uma revolução no corpo do adolescente, diz a médica.
A adolescência e a puberdade ficaram durante muitos anos sem ser estudadas por especialistas. A preocupação dos pediatras era com as crianças, e a dos clínicos com os adultos. Somente nos últimos dez anos, especialistas começaram a intensificar estes estudos e foram feitas grandes descobertas. A hebiatria, especialização da pediatria que estuda a adolescência, foi desenvolvida mais recentemente e hoje já pode auxiliar mais o jovem nesta fase tão conturbada. A gente teve de acordar para isso e percebeu que o jovem brasileiro não cresce quanto deveria e que precisamos melhorar sua qualidade de vida, diz a médica Vera Beltran.
Ela sugere começar pela nutrição. Nosso jovem come muita bugiganga em vez de carne, verduras e frutas, fundamentais para seu crescimento ordenado. O jovem morre de preguiça de tomar líquidos suficientes e minerais. Deve se preocupar com a reposição da cálcio, sódio e potássio porque gasta muita energia. Quando o jovem dorme demais, geralmente, é porque seu desgaste energético é muito alto. Ele precisa dormir para liberar mais hormônios de crescimento, por isso o organismo se defende tendo mais sono.
A médica Vera Beltran sugere algumas medidas para que o jovem em transformação tenha mais saúde:
- Ter uma atividade física para ordenar os nutrientes que ele incorpora. Para distribuir melhor o físico, ele deverá fazer uma atividade compatível com isso. Se ficar na frente do game ou do computador engorda demais, fica travadão e sofre uma espécie de agressão mental.
- Fazer exercícios adequados. Muitos querem ganhar musculatura definida, mas devem respeitar a genética familiar, fazendo exercícios mais adequados ao seu típo físico. Alongamento é ótimo, porque expande de um modo geral a musculatura. Futebol, basquete, natação também são ótimos.
- Cuidar da postura. Os jovens tendem a esconder os defeitos curvando a coluna, tanto os que ficam muito altos de repente como os que se acham baixinhos. Isso pode prejudicar a respiração, a coluna.
- Procurar ter paciência. É comum espantar-se com a desigualdade do crescimento dos órgãos. A maturação sexual acelera o desenvolvimento. Quando alguns meninos se comparam a outros ficam chocados. Pensam que as diferenças podem comprometer seu desempenho funcional. Se o pênis, os pés ou coxas são menores ou maiores do que os do amigo, é só uma questão de tempo e isso não significa que seu desenvolvimento sexual vai ser comprometido. Apenas o seu pico de crescimento é diferente do dos amigos.
- Não brigar com as espinhas. A pele fica mais grossa e as proteínas e gorduras têm mais dificuldade de sair e se transformam em acne. Se mantiver uma alimentação mais saudável, menos gordurosa, e limpar bem a pele, com o tempo as espinhas vão desaparecer.
- Atenção com anemia e osteoporose. Foi confirmado que por maus hábitos alimentares, o jovem brasileiro tem uma taxa altíssima de anemia e de osteoporose. Para evitar isso, deve ingerir bastante leite, ovos, carne vermelha, verduras e frutas.
- Revisão médica. É importante que a família esteja sempre em contato com médicos para checar os níveis de nutrição e de crescimento. Mais do que cuidar das más companhias, os pais devem primeiro se preocupar com o que e como o jovem está se alimentando.
- É proibido proibir. É claro que os pais devem estar sempre colocando limites e cuidar da segurança e das amizades dos filhos, mas uma sugestão: quando os adolescentes ouvem, nesta fase, eu te proibo, têm a sensação de que o proibido é muito melhor do que imaginavam e passam a fazê-lo só por curiosidade. Melhor sugerir outras alternativas e dizer o que pode ser melhor para eles, ao invés de simplesmente proibir.





