A moda não se limitou a colorir roupas, calçados e bijuterias neste verão. Os tons intensos chegaram também às joalherias. O resultado não poderia ser melhor para o País. As pedras brasileiras – que até há pouco tempo eram valorizadas apenas no exterior – passaram a adquirir notável prestígio também por aqui. Não é para menos. A grande variedade de pedras que brotam do nosso solo e as quase infinitas possibilidades de lapidação são um prato cheio para a criatividade dos designers.
Esse olhar mais apurado dos profissionais do ramo para as preciosidades da terrinha vem acontecendo há tempos. ‘‘De uns 10 anos para cá passou-se a introduzir cores nas jóias. E com isso, as pedras brasileiras caíram no gosto das pessoas’’, informa a designer da Bergerson, Sílvia Doring. Mas o ‘‘fenômeno’’ se intensificou nesta temporada. ‘‘As pedras brasileiras nunca estiveram tão em alta como agora’’, garante a supervisora das lojas Big Ben, Cristina Rolim, relacionando o fato principalmente ao personagem de Vera Fisher na novela ‘‘Laços de Família’’, que costuma abusar das peças coloridas.
Geralmente mais baratas que as demais pedras preciosas, as brasileiras são ideais para quem quer ter variedade no porta-jóias. ‘‘Com elas, as pessoas podem se dar ao luxo de usar jóias como modismo’’, observa Cristina. Nas atuais coleções da Big Ben, as pedras brasileiras surgem tanto em peças leves como nas mais pesadas e podem vir acompanhadas ou não por pérolas e brilhantes. Já nas coleções atualmente disponíveis na Bergerson, o destaque são água-marinha, citrino, ametista, peridoto e turmalina, além do cristal rutilado (branco com ‘‘risquinhos’’ dourados). ‘‘É uma das pedras que as pessoas mais gostam por ser mais fácil de combinar’’, diz Sílvia.
Preço acessível Sucesso absoluto nas vendas de final de ano, a coleção de jóias com pedras brasileiras criada pela designer e empresária Helena Lara ilustra bem a atual preferência dos consumidores. ‘‘Houve uma aceitação muito grande de toda a sociedade’’, conta ela, que deu ênfase ao topázio azul, peridoto, água-marinha, ametista e turmalina rosa em peças de design arrojado. ‘‘Pulseiras e coleiras largas marcaram bastante a coleção’’, conta.
Com mais de 20 anos de carreira, Helena conta que sempre usou pedras brasileiras em suas criações, ‘‘mesmo quando ninguém acreditava nelas’’. Segundo a designer, o preço mais acessível é uma das principais vantagens. ‘‘Pode-se abusar do design, fazer peças maiores e mais vistosas, exatamente como as mulheres gostam, o que seria inviável economicamente com outras pedras preciosas’’, explica. Isabel Lopez Diez Higashi, da Diez & Diez, avisa que nem sempre se pode contar com essa economia. ‘‘Os preços dependem da qualidade das pedras e das oscilações do mercado’’, diz.
Peças de dimensões arrojadas também são a marca registrada da designer e empresária Cleyde S. Após trabalhar durante 25 anos em uma grande joalheria e perceber a pouca valorização das pedras brasileiras, resolveu investir nelas quando abriu o próprio negócio. Hoje, 30% das peças que estão nas suas vitrines são feitas com pedras nacionais, algumas pouco convencionais como a sodalita, uma importante constituinte da lápis lazuli, encontrada em diferentes tons de azul; a amazonita, variedade semi-opaca e verde azulada, normalmente talhada em cabochão (lapidação rústica) e a Jaspe, que pode ter as tonalidades marrom, azul cinzenta, vermelha, amarela e verde.

mockup