Preciosidades acadêmicas
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 17 de novembro de 2000
Rosângela Vale 
Fim de ano, época de efervescência de idéias nas Universidades. Vários cursos exigem trabalhos científicos como complemento das disciplinas ministradas, último passo para o aluno conquistar o sonhado e muitas vezes, suado diploma. Não é raro encontrar, entre os inúmeros temas propostos, abordagens bem interessantes e, em alguns casos, criações dignas de profissionais totalmente aptos para conquistar o mercado.
É o caso de Flávia Rodrigues Nunes, aluna do curso de Desenho Industrial da Unopar, que escolheu a habilitação em projeto de produtos na área de joalheria, e a partir da pesquisa sobre os índios kaigángs do Paraná, criou belíssimas peças em ouro 18 quilates. Me inspirei tanto nos aspectos sócio-culturais como na questão étnica estética, ou seja, na cultura material dos índios, mais especificamente na cestaria, que também é a fonte de subsistência deles, explica Flávia. A pesquisa foi feita na reserva do Apucaraninha e no Centro Cultural, em Londrina.
Como detalhe das peças, Flávia usou fibra de taquara a mesma das cestarias que foi tingida e ganhou cobertura de resina. Também estão presentes nas peças, em forma de sutis cortes, simbolismos da pintura facial indígena, que representam a divisão social da tribo. Além da maneira criativa com que usou as referências para desenvolver as peças, a versatilidade de uso está entre as características mais marcantes da pequena coleção, executada pelo designer e professor da Unopar, Cirilo Land.
Trata-se, originalmente, de um anel e de um brinco, que podem assumir outras funções, graças a algumas peculiaridades. O anel traz no centro giratório detalhe em taquara tingida de duas cores de um lado, e mais duas do outro. Além de oferecer duas possibilidades de uso, o anel possui furinho na parte de trás por onde pode passar uma corrente para que seja utilizado como pingente. Já os brincos são compostos por elos, que funcionam como clipes. Basta desencaixá-los e encaixá-los novamente para que se transformem em gargantilha, pulseira e pingente.
Natureza mística Outro trabalho na área de joalheria que ganhou destaque foi o de Cristiane Tavares. Apresentado na Unopar ano passado sob a orientação de Cirilo, foi inspirado no tema natureza mística e também evidencia o apelo multiuso, com peças dois em um. São quatro anéis, cada um deles referente a um elemento místico da natureza.
A parte externa do anel possui diferentes triângulos, inspirados na simbologia da alquimia, e também um pedra específica representando cada elemento. Já a interna, uma singela aliança, é feita com diferentes ligas de metais. As duas partes podem ser usadas juntas ou separadamente. A água é representada pela água marinha e pelo ouro branco; o fogo, pelo rubi e ouro vermelho; o ar, pela safira e platina; e a terra, pela esmeralda e ouro verde. De encher os olhos não apenas dos que acreditam em fadas e bruxas, mas também dos incrédulos de bom gosto.
Serviço: As peças podem ser executadas sob encomenda, pela Escola de Joalheria de Cirilo Land e Anderson Pisaneli fone: (43) 324-1325


