Fim de ano, época de efervescência de idéias nas Universidades. Vários cursos exigem trabalhos científicos como complemento das disciplinas ministradas, último passo para o aluno conquistar o sonhado – e muitas vezes, ‘‘suado’’ – diploma. Não é raro encontrar, entre os inúmeros temas propostos, abordagens bem interessantes e, em alguns casos, criações dignas de profissionais totalmente aptos para conquistar o mercado.
É o caso de Flávia Rodrigues Nunes, aluna do curso de Desenho Industrial da Unopar, que escolheu a habilitação em projeto de produtos na área de joalheria, e a partir da pesquisa sobre os índios kaigángs do Paraná, criou belíssimas peças em ouro 18 quilates. ‘‘Me inspirei tanto nos aspectos sócio-culturais como na questão étnica estética, ou seja, na cultura material dos índios, mais especificamente na cestaria, que também é a fonte de subsistência deles’’, explica Flávia. A pesquisa foi feita na reserva do Apucaraninha e no Centro Cultural, em Londrina.
Como detalhe das peças, Flávia usou fibra de taquara – a mesma das cestarias – que foi tingida e ganhou cobertura de resina. Também estão presentes nas peças, em forma de sutis ‘‘cortes’’, simbolismos da pintura facial indígena, que representam a divisão social da tribo. Além da maneira criativa com que usou as referências para desenvolver as peças, a versatilidade de uso está entre as características mais marcantes da pequena coleção, executada pelo designer e professor da Unopar, Cirilo Land.
Trata-se, originalmente, de um anel e de um brinco, que podem assumir outras funções, graças a algumas peculiaridades. O anel traz no centro – giratório – detalhe em taquara tingida de duas cores de um lado, e mais duas do outro. Além de oferecer duas possibilidades de uso, o anel possui furinho na parte de trás – por onde pode passar uma corrente – para que seja utilizado como pingente. Já os brincos são compostos por elos, que funcionam como clipes. Basta desencaixá-los e encaixá-los novamente para que se transformem em gargantilha, pulseira e pingente.
Natureza mística Outro trabalho na área de joalheria que ganhou destaque foi o de Cristiane Tavares. Apresentado na Unopar ano passado sob a orientação de Cirilo, foi inspirado no tema ‘‘natureza mística’’ e também evidencia o apelo multiuso, com peças ‘‘dois em um’’. São quatro anéis, cada um deles referente a um elemento místico da natureza.
A parte externa do anel possui diferentes triângulos, inspirados na simbologia da alquimia, e também um pedra específica representando cada elemento. Já a interna, uma singela aliança, é feita com diferentes ligas de metais. As duas partes podem ser usadas juntas ou separadamente. A água é representada pela água marinha e pelo ouro branco; o fogo, pelo rubi e ouro vermelho; o ar, pela safira e platina; e a terra, pela esmeralda e ouro verde. De encher os olhos não apenas dos que acreditam em fadas e bruxas, mas também dos incrédulos de bom gosto.
Serviço: As peças podem ser executadas sob encomenda, pela Escola de Joalheria de Cirilo Land e Anderson Pisaneli – fone: (43) 324-1325

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